Eduardo chama Bolsonaro de ingrato e critica apoio a Tarcísio, mostra PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Eduardo chama Bolsonaro de ingrato e critica apoio a Tarcísio, mostra PF

Lindbergh Farias (PT-RJ) recorre à Mesa Diretora da Câmara pedindo novo relator e anulação da decisão que manteve Marcelo Freitas no processo contra Eduardo Bolsonaro por quebra de decoro.
PT acusa Eduardo Bolsonaro de conduta irregular. Foto: Reprodção.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Mensagens apontam tensão entre pai e filho por sucessão política e articulações nos EUA

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revelam que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) xingou o pai e criticou gestos de apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o relatório, Eduardo avaliava que essas declarações poderiam atrapalhar articulações feitas por ele e por Paulo Figueiredo junto ao governo Donald Trump.

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As conversas fazem parte do inquérito em que Bolsonaro e Eduardo foram indiciados por coação para tentar impedir o julgamento da ação do chamado golpe. Tarcísio é cotado como possível sucessor de Bolsonaro em 2026, enquanto Eduardo também busca o apoio do pai para concorrer.

Em 15 de julho, Eduardo escreveu ao ex-presidente: “Eu ia deixar de lado a histório \[sic] do Tarcísio, mas graças aos elogios que você fez a mim no Poder 360 estou pensando em dar uma porrada nele, para ver se vc aprender. VTNC SEU INGRATO DO C……”.

Na mesma data, Bolsonaro disse em entrevista que pediu ao filho para cessar ataques a Tarcísio, mas afirmou que Eduardo, apesar dos 40 anos, “não é tão maduro, talhado para a política”. O deputado reagiu em seguida: “Me f…… aqui! Vc ainda te ajuda a se f…. aí! Se o IMATURO do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, PORQUE VC ME JOGA PRA BAIXO, quem vai se f…. é vc e VAI DECRETAR O RESTO DA MINHA NESTA P…. AQUI. TENHA RESPONSABILIDADE!”.

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Horas depois, já na madrugada do dia 16, Eduardo pediu desculpas: “Desculpa. Peguei pesado. Estava p… na hora”.

No dia 24 de junho, Bolsonaro enviou ao filho pesquisa eleitoral que mostrava Lula à frente de Eduardo, mas atrás do próprio ex-presidente, de Tarcísio e de Michelle Bolsonaro. O deputado respondeu com ironia: “Nofa! Acho melhor eu ficar de fora mesmo! Tarcísio vai levar a frente suas bandeiras, inclusive demitindo secretárias ligadas ao PSOL e etc. E ele dialoga muito bem. Vai anistiar geral e o STF, que sempre foi aliado nosso, não será óbice. E imagino o TF [Tarcísio de Freitas] falando com Trump sobre China. Sabe que vai cair tudo na sua conta, né? Futuro dos seus netos é falar inglês mesmo.”

No dia seguinte, Eduardo escreveu que a narrativa sobre um suposto acordo para Tarcísio suceder Bolsonaro estava “muito forte” e que era preciso “segurar isso para nos mantermos vivos aqui”.

Em outra troca, de 11 de julho, Bolsonaro avisou ao filho que estava com Tarcísio em Brasília. Eduardo respondeu: “Avise-o. Se quiser acessar a Casa Branca ele não conseguirá. Só eu e o Paulo Figueiredo temos acesso”.

O relatório da PF aponta que as mensagens indicam a tentativa de Eduardo de se colocar como único interlocutor do governo dos Estados Unidos. Segundo os investigadores, a participação de outras autoridades brasileiras poderia “frustrar as intenções dos investigados”.

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