Eduardo Bolsonaro diz "Vamos dobrar a aposta" após prisão
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Eduardo Bolsonaro: “Vamos dobrar a aposta”

Eduardo Bolsonaro reage à decisão do STF, acusa Alexandre de Moraes de perseguição e afirma que prisão de Jair Bolsonaro já estava planejada

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Deputado diz que decisão já estava pronta e minimiza violação da tornozeleira

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu à decisão do STF que manteve a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusou o ministro Alexandre de Moraes de promover “perseguição” contra sua família.

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A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (24), após a Primeira Turma do STF confirmar por unanimidade a decisão que decretou a prisão preventiva no sábado (22).

Eduardo afirmou que a medida já estaria “planejada” antes do episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica e classificou a violação do equipamento como um “detalhe” dentro da decisão.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar disse que Moraes “já estava com tudo preparado” para decretar a prisão e citou datas de decisões anteriores envolvendo o pai e o PL. Sem apresentar provas, chamou o ministro de “psicopata”.

Segundo ele, a tentativa de romper a tornozeleira “ocuparia apenas um parágrafo” das 14 páginas da decisão.

O STF, por sua vez, sustenta que a violação do equipamento e as vigílias convocadas por aliados de Bolsonaro indicaram risco de fuga e descumprimento de medidas judiciais.

Eduardo também declarou que o pai estava em prisão domiciliar com tornozeleira com base em um inquérito que, segundo ele, “já acabou”. Ele se referiu ao inquérito sobre coação no curso do processo, no qual ele próprio e Paulo Figueiredo foram denunciados pela PGR.

Durante o vídeo, Eduardo afirmou:

“É o processo que tá rolando sobre essa fantasia chamada de coação. Então, temos que deixar bem claro para expor o autoritarismo do Moraes, para expor a perseguição. Para não permitir que o Moraes amanhã consiga extraditar mais pessoas. É preciso sim ter liberdade de expressão para expor, de fato, que ele é um violador de direitos humanos e ele não está agindo sozinho”.

O deputado ainda incentivou apoiadores a se mobilizarem contra o que chamou de “autoritarismo” e afirmou que, se não houver reação, o ministro poderia “extraditar mais pessoas”, sem citar casos concretos.

Em novo trecho, declarou que, “se Deus quiser”, haverá “respostas aos desmandos” e afirmou que tais reações não poderiam ocorrer dentro do Brasil, alegando que Moraes teria controle por “ameaças e conchavos”.

Em live realizada no domingo (23), Eduardo intensificou o tom. Chamou Moraes de “tiranete de beira de estrada” e afirmou:

“Se ele acha que a gente vai parar, está enganado. A gente vai dobrar a aposta. Vou trabalhar o resto da minha vida para expor o que ele faz”.

Em outro trecho, disse:

“Porque você não passa de um tiranete de beira de estrada. Sem a sua caneta. Você é uma mariquinha. Pode prender meu pai aí. Talvez vai condenar à morte. Lamento. É triste. Com certeza. Mas se você acha que aqui a gente vai parar, eu te garanto, a gente vai dobrar a aposta, porque a gente sabe como é que você é”.

Eduardo também afirmou que, ao analisar a decisão, concluiu que faltam fundamentos jurídicos e declarou:

“Eu analisei a decisão do Moraes, tive que tomar 10 aspirinas, jogar fora tudo o que eu aprendi na faculdade de Direito. Decisão esdrúxula”.

Ele ainda afirmou que Moraes teria “histeria com o dia 22” e que a decisão já estaria pronta antes de qualquer fato relacionado à tornozeleira, sem apresentar provas.

A prisão de Jair Bolsonaro ocorreu após a Polícia Federal apontar tentativa de violação da tornozeleira eletrônica com uso de um ferro quente, registrada às 0h08 de sábado (22). Moraes citou risco de fuga e mencionou a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como fator adicional.

Moraes também citou a distância entre a residência de Bolsonaro e a Embaixada dos Estados Unidos, estimada em cerca de 13 km, como elemento considerado no risco de evasão.

Na audiência de custódia, a defesa alegou que o ex-presidente tentou abrir o equipamento por causa de um “surto” provocado por medicamentos. A Primeira Turma rejeitou a tese e classificou a conduta como consciente.

A prisão preventiva tem caráter cautelar e não representa o início do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses imposta no processo por tentativa de golpe.

Assista a íntegra do vídeo

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