Economista critica “cultura do privilégio” no Brasil e cita comparação com a Suíça Economista JH Fonseca afirmou que o Brasil enfrenta um problema cultural profundo, citando subsídios e programas sociais como reflexo da busca por privilégios.
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Economista critica “cultura do privilégio” no Brasil e cita comparação com a Suíça

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Por Adrian Almeida

Para JH Fonseca, problema do Brasil não é de representação, mas de cultura política

Em participação no programa ALive nesta sexta-feira (5) o economista JH Fonseca avaliou que o maior entrave do Brasil não está em quem pode ou não votar, mas em um problema cultural que, segundo ele, atravessa todas as classes sociais.

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Fonseca lembrou que, em 2016, a Suíça realizou um referendo sobre a criação de uma renda básica universal que pagaria o equivalente entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por mês. A proposta foi rejeitada por 77% da população.

“É um país que tem superávit fiscal, é um país que tem 37% só de dívida PIB bruta, a líquida é menos de 20%. Então, a gente tem um problema cultural no Brasil”, afirmou.

O economista disse que, no Brasil, a interpretação de programas sociais muitas vezes se aproxima da lógica da “compra de voto”, mas ponderou que também existem mecanismos semelhantes voltados para grupos empresariais.

“O que é a Zona Franca de Manaus? O que são alguns subsídios para setores que não dão dinheiro? O que significa quando eu taxo o serviço na reforma tributária para privilegiar a indústria? Eu estou dando, de certa forma, um incentivo. Então, a democracia é esse jogo de interesses”, disse.

Para Fonseca, o problema central é que “todo mundo quer levar vantagem aqui num ponto e não de representação”. Ele reforçou a comparação com a Suíça, citando a possibilidade de um novo referendo para a taxação de grandes fortunas.

“Se eu tivesse que apostar, será rechaçado. Por quê? Porque a população suíça tem um entendimento básico de como as coisas funcionam”, disse.

Ao falar sobre a realidade brasileira, ele pontuou que a adesão a programas de transferência e subsídios não resultou em ganho estrutural para a população.

“A população brasileira aceita esses botijões, aceita esses programas. E a hora que passa 15 anos, como eu mostrei lá no gráfico, a renda média de ninguém subiu. A gente está na mesma situação”, avaliou.

Por fim, o economista concluiu que não defende restringir o direito de voto, mas reforçou sua preocupação com a cultura política do país.

“Acho que essa é a provocação. Eu não acho que a gente tem que cercear o direito das pessoas a votar. A gente tem um problema cultural gigantesco que vai da classe mais baixa até a classe mais alta.”

Assista ao programa completo:

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