Ontem noticiamos que a CPMI do INSS decidiu antecipar para segunda-feira 23 o depoimento de Daniel Vorcaro. A medida foi uma reação à convocação do banqueiro pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Renan Calheiros, que resolveu pegar carona no caso em busca de exposição midiática para seus planos eleitorais.
Eu já desconfiava que o emedebista não tinha qualquer interesse em investigar nada, mas agora ficou claro que o objetivo do GT do caso Master é servir como linha auxiliar do Palácio do Planalto. Renan quer atrapalhar qualquer investigação que possa atingir Lula e a cúpula petista, como é o caso do Credcesta, galinha dos ovos de ouro do PT.
E já está conseguindo. Antes do Carnaval, o banqueiro parecia disposto a colaborar com a CPMI, mas o tumulto legislativo pode pressioná-lo a mudar de ideia. Sem contar que a autorização para Vorcaro se deslocar de São Paulo a Brasília agora depende de André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso no lugar de Dias Toffoli.
O MEDO DO PT
Na última sessão, a cúpula da CPMI planejava votar as quebras de sigilo de Augusto Lima, mas a audiência acabou cancelada por pressão da base do governo e os requerimentos saíram de pauta. A atuação de Renan parece alinhada à estratégia petista de adiar ao máximo qualquer investigação sobre o PT, contando com o fim dos trabalhos da comissão em 28 de março.
O Credcesta, cartão de benefício consignado, foi o principal produto de alavancagem do banco de Vorcaro. Depois da Bahia, Guga Lima expandiu as operações para mais de 20 estados e no governo federal. Conseguiu habilitação para o INSS e a aprovação de uma MP que ampliou em 5% o limite de endividamento dos servidores públicos federais, exclusivo para o produto.
Ao deixar o Master, Guga Lima levou consigo a carteira de consignados, que passou a lastrear as operações do Banco Pleno, liquidado ontem pelo Banco Central. Caberá agora ao FGC garantir o pagamento de quase R$ 5 bilhões a milhares de credores de seus CDBs.
