Diretor jurídico do BRB renuncia em meio ao caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Diretor jurídico do BRB renuncia em meio ao caso Master

BRB não informou motivo da renúncia nem anunciou substituto para a diretoria jurídica

BRB apresenta até sexta plano para cobrir perdas com Master
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor jurídico do Banco de Brasília (BRB). Em fato relevante divulgado na noite de ontem (09), o banco ligado ao governo do DF informou que a saída será efetivada no próximo sábado (14).

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“O BRB reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a transparência e manterá seus acionistas e o mercado informados, de forma tempestiva, sobre quaisquer atos ou fatos relevantes”, declararam o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, e o gerente de Relações com Investidores, Matheus Brugger Simão.

O banco não informou o motivo da renúncia nem anunciou quem assumirá a diretoria jurídica do BRB.

O BRB também anunciou ontem a posse de Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos. Segundo o banco, ela “possui sólida trajetória no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil”.

BRB e Caso Master

A mudança nas diretorias acontecem em meio à crise que envolve o BRB devido os negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro e que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado.

O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, originadas, segundo a Polícia Federal (PF), por meio da empresa Tirreno, apontada como de fachada. Após a identificação de inconsistências, os ativos foram trocados por outros do próprio banco de Vorcaro, que também levantam suspeitas quanto à regularidade e ao valor real.

Em depoimento à PF no ano passado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que as perdas podem superar os valores inicialmente estimados, considerando provisões relacionadas a créditos de difícil recuperação e ativos com possível deságio oriundos do banco de Vorcaro.

Em 2024, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi vetada pelo BC. A PF investiga indícios de fraude na venda das carteiras de crédito. À polícia, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que parte relevante dos ativos foi recuperada, mas estimou em cerca de R$ 2 bi o montante considerado irrecuperável.

No ano passado, Jacques assinou parecer jurídico que recomendava ao BRB atenção aos índices de liquidez do Master, em análise feita às vésperas de o conselho de administração da estatal aprovar o negócio com o banco de Vorcaro.

O parecer foi assinado 4 dias antes de o conselho de administração do BRB dar aval à compra de 58% do capital total do Master. Ele ressalta que os indicadores de liquidez eram cruciais para a segurança do negócio.

A atual gestão do BRB busca novas fontes de recursos para absorver os prejuízos do envolvimento com o Master. Diante da crise, o BRB apresentou na última sexta (06) ao BC um plano de capital para recompor o balanço e reforçar a liquidez da instituição em até 180 dias.

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