Pré-candidatos às eleições deste ano e lideranças políticas participaram, na manhã e na tarde deste domingo (1º), de atos organizados pela direita em mais de 20 cidades do país.
A manifestação, convocada nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e intitulada “Acorda Brasil”, teve como pautas críticas ao governo do Lula, pedidos de impeachment de ministros do STF e defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
As mobilizações ocorreram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Maceió, João Pessoa, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Manaus e outras capitais.
Segundo a Globo, 20 mil pessoas. Depois reclamam que o povo grita Globo Lixo. pic.twitter.com/AjZph80X5c
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) March 1, 2026
Em Brasília, o ato foi mobilizado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e contou com a presença do senador Rogério Marinho (PL-RN) e de Carlos Bolsonaro. Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira participou da manifestação na Praça da Liberdade. No Rio, o ato foi realizado em Copacabana.
Em São Paulo, a concentração ocorreu na Avenida Paulista. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político (Cebrap/USP), 20,4 mil pessoas participaram no horário de pico, às 15h53. Considerando a margem de erro de 12%, o público pode ter variado entre 18 mil e 22,9 mil pessoas. No Rio de Janeiro, o grupo estimou 4,7 mil participantes.
Flávio Bolsonaro faz primeiro ato como pré-candidato
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou do ato na Paulista pela primeira vez como pré-candidato à Presidência. Ele foi oficializado como sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde novembro após condenação a 27 anos por tentativa de golpe.
Flávio chegou ao ato acompanhado de Nikolas Ferreira e do governador Romeu Zema (Novo-MG). Também esteve presente o governador Ronaldo Caiado (PSD-GO). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu por cumprir agenda na Alemanha.
No discurso, Flávio agradeceu a presença de Zema e Caiado e afirmou que o ato não tinha caráter eleitoral.
“É muita honra estar no mesmo palanque defendendo os mesmos ideias de uma pessoa com a sua história [Caiado]. Isso prova que isso aqui não é ato eleitoral. Tem aqui dois pré-candidatos. Juntos não estamos disputando voto, estamos pensando no que é melhor para o nosso país”, declarou.
Ele também citou Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que afirmou: “O Flávio está escalado. O time está sendo montado. Agora, é gente entrar em jogo. Para quê? Para ganhar de lavada, para poder fazer uma grande vitória da verdadeira democracia, da liberdade e do avanço do Brasil e de combate à corrupção”.
Flávio afirmou ser favorável ao impeachment de ministros do STF que descumprirem a lei.
“Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos a maioria no Senado”, disse.
Ele também declarou: “O nosso alvo nunca foi o Supremo, nós sempre dissemos que o STF era fundamental para a democracia. Mas estão destruindo a democracia a pretexto de defendê-la para atingir Bolsonaro”.
O senador defendeu a derrubada do veto ao projeto da dosimetria e reiterou apoio à anistia aos condenados de 8 de janeiro. Ao mencionar o pai, afirmou:
“Eu falei: ‘Pai, em janeiro de 2027, você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro'”.
Pesquisa entre manifestantes
Levantamento do Monitor do Debate Político ouviu 704 pessoas entre 13h e 17h na Avenida Paulista. Segundo a pesquisa:
- 95% se declararam completamente favoráveis ao impeachment de Alexandre de Moraes;
- 93% disseram ser completamente favoráveis ao impeachment de Dias Toffoli;
- 74% preferem Flávio Bolsonaro como candidato da direita à Presidência.
Entre os entrevistados, 62% eram homens e 77% se definiram como “muito de direita”. Zema foi citado por 10% como opção presidencial, Michelle Bolsonaro por 4% e Tarcísio por 10%.
Carta de Bolsonaro
Durante o ato, Nikolas divulgou carta escrita por Jair Bolsonaro. No texto, o ex-presidente pediu união no campo conservador e afirmou que Michelle Bolsonaro só deve se envolver na política após março de 2026.
“A Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada, bem como nos cuidados à minha pessoa.”
Bolsonaro também escreveu:
“Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados.”
Os atos deste domingo foram os primeiros de alcance nacional após a definição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato e ocorreram em meio ao embate político envolvendo o caso Banco Master, investigações no STF e articulações para 2026.
Segue o líder! 👍🏻🇧🇷
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) March 1, 2026
“Dirijo-me a todos que comungam
conosco dos mesmos valores – Deus, Pá-
tria, família e liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa.
A Michelle pedi para se envolver
na política após março/26,… pic.twitter.com/38biXDpBzN
