Na última terça, Bolsonaro relembrou uma fala de Dino feita em 2010
O ministro do ST, Flávio Dino o rebateu as declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro que havia usado uma fala de Dino de 2010 para sugerir insatisfação generalizada com as urnas eletrônicas. A resposta do magistrado aconteceu nesta quarta-feira (11) durante o julgamento sobre a responsabilização das big techs por conteúdo de usuários.
O ministro, porém, esquivou-se de explicar suas próprias declarações do passado, e disse que acusou ex-presidente de contar “mentiras tipificáveis” sobre o sistema eleitoral.
Na terça-feira (10), durante interrogatório no STF, o ex-presidente defendeu o aprimoramento do processo eleitoral, incluindo o voto impresso, e citou uma fala de Dino após a derrota na eleição para o governo do Maranhão em 2010: “Hoje, fui vítima de um processo que precisa ser aprimorado.”
Em sua réplica, Dino tentou diferenciar suas críticas de outrora do que chama de falsidades. “É falso que tudo é uma questão de opinião. Dizer que há sala escura no TSE, onde magistrados manipulam o código fonte, não é opinião. É uma mentira tipificável”, disse o ministro.
O que Dino omitiu, no entanto, são suas próprias declarações contra as urnas eletrônicas, que vão além de uma simples crítica ao processo eleitoral.
Em 8 de novembro de 2013, afirmou: “Hoje em Recife vi a comprovação científica de que as urnas eletrônicas são extremamente inseguras e suscetíveis a fraudes.” Em 17 de agosto de 2012, escreveu: “Em eleições com pequena margem, possibilidade de violação de uma única urna pode alterar o resultado final.”
Em 7 de maio de 2012, foi ainda mais incisivo: “Esse sistema propicia diversas fraudes, sem auditoria.” E, em 24 de setembro de 2010, retuitou uma mensagem irônica: “No Maranhão, segundo o @Nobremendes, a urna eletrônica terá a tecla ‘confirma, mas depende do STF’” .
Essas falas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral, não receberam qualquer menção ou esclarecimento por parte do ministro.
