Dino chama de “irresponsável” relatório da CPI do Crime Organizado
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Justiça

Dino chama de “irresponsável” relatório da CPI do Crime Organizado

Ministro critica foco do parecer, que recomenda indiciamento de ministros do STF, e fala em “erro histórico”

Flávio Dino votou pela condenação de cinco dos sete policiais militares que respondem por suposta omissão durante os atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, criticou nesta terça-feira (14) o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que recomenda o indiciamento de três integrantes da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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Em manifestação pública, Dino classificou como “irresponsável” a condução de uma investigação que, segundo ele, deixa de priorizar o enfrentamento direto às estruturas do crime organizado.

“É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros”, afirmou.

O relatório, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pede o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes por crimes de responsabilidade. Para Dino, o foco adotado pela CPI distorce o debate sobre segurança pública e ignora o papel de grupos criminosos que atuam no país.

O ministro também saiu em defesa da atuação do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), destacando decisões e medidas adotadas no combate ao crime organizado.

“O Supremo Tribunal Federal tem um relevante conjunto de decisões judiciais contra o crime organizado no Brasil, nos limites de suas competências constitucionais”, disse, acrescentando que o mesmo se aplica à atuação da PGR.

Na avaliação de Dino, há um equívoco crescente ao atribuir ao Supremo a centralidade dos problemas nacionais. “Apontar o STF como o ‘maior problema nacional’ é um imenso erro, para dizer o mínimo. Friso: gigantesco erro histórico”, declarou.

Sem mencionar diretamente o relator da CPI, o ministro afirmou que críticas e investigações são legítimas, mas devem respeitar os limites institucionais.

“Críticas e investigações devem ser feitas, sem dúvida. Mas com respeito à dignidade das pessoas e com preservação das instituições da democracia”, afirmou.

Dino também ressaltou que, por sua condição de magistrado, não poderia se estender sobre a atuação do Supremo no combate ao crime organizado, embora tenha indicado que os resultados estão registrados em decisões judiciais.

“Não me cabe falar, mas está nos autos”, pontuou.

“Posso e devo registrar a minha solidariedade pessoal aos colegas alvo de injustiças”, concluiu.

O relatório da CPI deve ser votado ainda nesta terça-feira (14), último dia de funcionamento da comissão, e será encaminhado aos órgãos competentes caso seja aprovado.

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