Operação investiga desvio de cestas básicas durante pandemia; Ricardo Ayres nega irregularidades
O deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO) é um dos alvos de busca e apreensão na operação da Polícia Federal (PF) que investiga desvios em contratos do governo do Tocantins para a compra de cestas básicas e frango congelado. A informação é do Portal Metrópoles.
Ayres foi cotado para ser relator na CPMI do INSS, chegando a ser confirmado por Hugo Motta, mas uma virada da oposição colocou Alfredo Gaspar (União-AL) na relatoria.
A ação ocorre no mesmo dia em que o governador do estado, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por envolvimento nos mesmos crimes.
A PF encontrou documentos com anotações de nomes de parlamentares supostamente ligados a pagamentos indevidos. Segundo a corporação, as investigações apontam para um esquema que incluiu o desvio de verbas destinadas ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.
“Apesar das apurações terem começado sem quaisquer indícios acerca da participação de pessoa que atualmente possuísse foro por prerrogativa de função, é fato que, após as buscas domiciliares, foram descobertas algumas provas – anotações – que apontariam que, além dos crimes praticados pelos investigados supracitados – pode ter ocorrido pagamentos de vantagens indevidas para parlamentares estaduais”, diz o documento.
A PF detalhou que, entre as anotações, foram encontrados nomes como “Ricardo Ayres”, que foi deputado estadual no Tocantins entre 2019 e 2023.
Os contratos investigados somam cerca de R$ 97 milhões, com um prejuízo estimado de R$ 73 milhões aos cofres públicos. O esquema se aproveitou do estado de emergência, que afroxou fiscalização para agilizar processos, para fraudar contratos de fornecimento de comida a pessoas de baixa renda.
A investigação aponta que os recursos desviados teriam sido ocultados em empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais.
Em nota, o deputado Ricardo Ayres afirmou receber a operação com “serenidade” e negou qualquer envolvimento com as irregularidades. “Ressalto que não tenho qualquer relação com os atos apurados e que minha citação decorre apenas da condição de parlamentar naquele período”, disse.
