Receita aponta indícios de crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Receita Federal anunciaram, na tarde desta sexta-feira (26), a interdição da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, após constatarem diversas irregularidades na unidade em operação conjunta realizada na quinta (25) e nesta sexta. Segundo o diretor-geral da ANP, Arthur Watt, a interdição é por tempo indeterminado.
“Não há evidências de que ocorra processo de refino de petróleo na unidade da Refit”, afirmou Watt a jornalistas.
Segundo o órgão, os dois navios transportavam 91 milhões de litros de óleo diesel, avaliados em R$ 290 milhões, que seriam entregues a terminais de armazenagem nos dois estados.
O temor aumenta pela ligação do dono da refinaria, Ricardo Magro, com figuras de peso da política nacional. Ele vive nos Estados Unidos desde 2016 e mantém relações próximas com partidos tanto da esquerda quanto da direita.
A investigação segue a tese de que a Refit não estaria produzindo combustível de fato. O esquema consistiria em importar diesel e gasolina e simular, por meio de operações fiscais, que os produtos foram refinados em suas instalações.
Também foram confiscados contêineres com 115 toneladas de insumos usados na formulação de combustíveis, vindos de diferentes continentes.
Receita realiza inspeção
A unidade já havia sido citada na operação Carbono Oculto, que investigou a atuação do PCC no setor. Ao final da fiscalização, a ANP decidiu interditar a refinaria, alegando ter identificado uma série de irregularidades.
De acordo com a Receita, o modelo de fraude identificado envolve a interposição fraudulenta, em que se ocultam os verdadeiros importadores e a origem dos recursos, prática que sustenta crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal.

Na semana anterior, a primeira fase da operação já havia resultado na apreensão de cargas em dois outros navios, todos monitorados pela Marinha do Brasil em parceria com a Receita.
Em comunicado divulgado ao mercado no último dia 23, a Refit negou envolvimento com as cargas apreendidas e afirmou que atua em conformidade com a lei, declarando que suas vendas de combustíveis são realizadas “em estrita conformidade com a legislação vigente”.
