Primeiro-ministro de Israel foi recebido sob vaias e discursou para público esvaziado
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi recebido com vaias ao iniciar seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta sexta-feira (26). Em um claro sinal de protesto contra a ofensiva israelense em Gaza, a maioria das delegações, incluindo a do Brasil, começou a deixar o plenário da ONU antes que o premiê falasse.
A comitiva brasileira, composta por diplomatas e representantes do país na ONU, foi uma das primeiras a se retirar. Os diplomatas brasileiros que permaneceram no plenário por um breve período antes de se retirarem trajavam o keffiyeh, lenço tradicional palestino, em um gesto de apoio simbólico. No ano passado, a delegação brasileira já havia adotado o mesmo protesto por determinação do Itamaraty.

Em sua fala, Netanyahu prometeu continuar a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza. Ele rejeitou a criação de um Estado Palestino no contexto atual, comparando-a a “dar um Estado à Al Qaeda a 1km de Nova Iorque depois do 11 de Setembro”.
Criação de um território para Palestina foi um dos assuntos do discurso do presidente Lula na abertura da assembleia. Segundo o petista, o que acontece em Gaza é genocídio de uma povo, pois ocorre uma “matança indiscriminada de civis”.
O líder israelense criticou a pressão internacional e afirmou que Israel está “lutando uma batalha” pelo Ocidente. Ele negou as acusações de que seu Exército está matando civis ou causando fome em Gaza, e disse que os países que apoiam a solução de dois Estados cederam à mídia e aos “islamistas radicais”.

“Grande parte do mundo não se lembra mais de 7 de outubro. Mas nós nos lembramos”, discursou Netanyahu, lembrando os horrores do ataque do Hamas que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e na captura de reféns, 48 dos quais, segundo Israel, ainda estão em Gaza.
Apesar da ampla saída de representantes, o plenário não ficou completamente vazio. Delegações de países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega, França, Itália, Espanha, Finlândia e Suíça, além de uma comitiva da União Europeia, permaneceram no local. Houve, ainda, aplausos isolados por parte de convidados na plateia.
