A defesa de Carla Zambelli avalia que a demora da Justiça italiana em decidir sobre o pedido de extradição feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) indica possível decisão favorável à ex-parlamentar. A sentença pode ser divulgada a qualquer momento.
Segundo análise apresentada pela defesa, os magistrados italianos estariam levando mais tempo para fundamentar eventual decisão de soltura com base em argumentos que resistam à opinião pública local.
Os advogados consideram que uma alternativa menos controversa seria negar a extradição com base nas condições do sistema prisional brasileiro, sem enfrentar a tese de suspeição do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a defesa, caso a Corte reconheça que Moraes atuou como juiz e vítima, haveria um “efeito dominó” em processos no Brasil e em instâncias internacionais. Nesse cenário, poderiam ser impactados o inquérito das fake news e ações relacionadas à suposta tentativa de golpe de Estado.
A hipótese de autorização da extradição é considerada improvável pela defesa por três fatores. O primeiro envolve o caso do ex-jogador Robinho, condenado na Itália e não extraditado, o que poderia gerar debate sobre reciprocidade.
O segundo ponto é a necessidade de a Justiça italiana enfrentar a alegação de que Moraes atuou simultaneamente como julgador e vítima. Zambelli foi condenada sob acusação de ter pago Walter Delgatti Neto para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserir mandado de prisão assinado pelo próprio ministro contra si.
O terceiro argumento apresentado é que, segundo a defesa, a jurisprudência italiana há cerca de 15 anos tem restringido extradições em casos semelhantes.
