Defesa de Bolsonaro vê “fato novo” para pedir revisão no STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa de Bolsonaro vê “fato novo” para pedir revisão no STF

Advogados citam nomeação de delegado para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes

Bolsonaro passa por tomografia após mal-estar
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Por Redação

Advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estudam apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de revisão criminal para tentar anular a condenação imposta ao ex-mandatário no processo relacionado à chamada trama golpista após as eleições de 2022. As informações são do portal Metrópoles.

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A iniciativa está sendo discutida após a nomeação do delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

A designação foi formalizada nesta semana e assinada pelo presidente do STF, Luiz Edson Fachin.

Shor foi o responsável por conduzir investigações que resultaram no indiciamento de Bolsonaro em 2024, apontando o ex-presidente como líder de uma organização criminosa que teria tentado impedir a posse do presidente Lula (PT).

Segundo integrantes da defesa ouvidos sob reserva, a presença do delegado no gabinete do ministro que relatou o processo poderia ser utilizada como argumento para questionar a imparcialidade dos atos processuais que levaram à condenação do ex-presidente.

A estratégia em discussão é apresentar um pedido de revisão criminal com base em um “fato novo”, sustentando que a proximidade entre investigador e relator comprometeria a validade da investigação e do julgamento.

Juristas consultados pelos advogados afirmam que o argumento poderá se apoiar em precedentes do próprio STF. Em 2021, a Corte decidiu anular condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato após reconhecer a suspeição do então juiz federal Sergio Moro. Na ocasião, o tribunal entendeu que a atuação posterior de Moro como ministro da Justiça do governo Bolsonaro levantava dúvidas sobre sua imparcialidade.

Com base nesse entendimento, a defesa de Bolsonaro pretende sustentar que a nomeação do delegado responsável pelo inquérito para o gabinete do relator do caso poderia configurar situação semelhante. O objetivo seria pedir a anulação não apenas da condenação, mas também de atos processuais e etapas da investigação que antecederam a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

O eventual pedido ainda está em fase de elaboração e não foi protocolado no Supremo até o momento.

A estratégia jurídica, segundo advogados próximos ao caso, deverá ser construída a partir da comparação entre os fundamentos utilizados pelo STF para anular os processos contra Lula e a situação atual envolvendo o delegado responsável pelas investigações que atingiram Bolsonaro.

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