Analistas veem “dominação pelo endividamento” e efeito eleitoral de auxílios
O apresentador do programa Alive, Claudio Dantas, afirmou nesta terça-feira (2) que há uma “destruição de valor na classe média empreendedora” e acusou o governo Lula (PT) de usar o discurso de justiça social para ampliar impostos e dependência de programas sociais.
Segundo ele, “eles mudam as estatísticas, colocam isso dentro de um discurso de justiça social, de justiça tributária, e dá-lhe ferro”.
O jornalista citou o Desenrola como exemplo de política que, segundo ele, “não resolveu o problema do endividamento e serviu como ferramenta de apoio político”.
Ao reler um artigo de sua autoria, Dantas disse que o programa beneficiou milhões, mas não conteve o avanço das dívidas, que voltaram a bater recordes. Ele também afirmou que o aumento dos gastos sociais pressiona juros e cria um cenário de “espiral recessiva”.
Sem precedentes
Dantas também criticou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, citando uma fala dele: “O que Lula encomendou eu entreguei”.
Para o apresentador, a declaração evidencia aumento de gastos, impostos e da dívida pública. Ele afirmou que Haddad, que deve deixar o governo para disputar eleição, deveria “ir direto para a cadeia”, porque sua gestão resultou “em um projeto de destruição de riqueza sem precedentes”.
“Dominação pelo endividamento”
Para o analista econômico Ary Alcântara, há paralelos entre o atual cenário e fenômenos históricos descritos por Euclides da Cunha em Os Sertões. Segundo ele, a combinação entre miséria, abandono estatal e crescimento de facções estaria recriando dinâmicas semelhantes às do antigo cangaço no Nordeste e no Rio de Janeiro.
“Você domina a população pelo endividamento, pela dependência do Estado. O novo cangaço tem origem naquele mesmo princípio de miséria dependente e miséria ideológica”.
O analista defendeu que a saída para o país passa por “liberdade, produção, empreendedorismo e honestidade”, além de ruptura com práticas políticas que, segundo ele, alimentam a dependência do Estado.
Distorções no desemprego e juros
A cientista política Júlia Lucy afirmou que o governo sustenta gastos elevados com aumento de impostos e maior endividamento via emissão de títulos. Ela disse que “o governo toma a decisão de gastar muito dinheiro porque tem aumento de receitas e porque se endivida cada vez mais”.
Lucy criticou programas sociais por supostamente desestimularem o trabalho e distorcerem indicadores de desemprego, afirmando que “hoje, no Brasil, é considerado desempregado apenas quem procura emprego; quem não procura sai da estatística”.
Ela avaliou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mantém juros altos para controlar a inflação e atrair capital estrangeiro.
Segundo Lucy, “o investidor olha para os Estados Unidos, que pagam 4% ao ano, e olha para o Brasil pagando 15%. É óbvio que o dinheiro vem para cá”.
Para ela, o fluxo de recursos internacionais só permanece porque a taxa brasileira está muito acima da praticada em outras economias, mas isso “eleva dramaticamente o custo da dívida pública”.
