Galípolo votou por Selic a 15%, contrariando discurso de Haddad - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Galípolo votou por Selic a 15%, contrariando discurso de Haddad

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Por Redação

Alta dos juros é atribuída a Campos Neto por Haddad

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (26) que votou pelo aumento da taxa básica de juros para 15% ao ano na última reunião do Copom. Ele defendeu a manutenção de uma política monetária restritiva por um “período bastante prolongado” para garantir que a inflação volte à meta, contrariando o discurso do governo Lula, que tenta atribuir os juros elevados à gestão anterior do BC.

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A decisão do Copom, tomada em 18 de junho, foi unânime. Galípolo afirmou que está “absolutamente de acordo” com todas as deliberações recentes e que as medidas adotadas “falam por si só pelo tamanho da intensidade” do ajuste. A fala rebate indiretamente as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad que, nesta semana, responsabilizou o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pela atual taxa de juros.

Galípolo, no entanto, disse que as decisões são tomadas de forma colegiada e que cada diretor do BC assume seus próprios votos. Ele também destacou que mantém diálogo constante com Haddad, mas limitou-se a dizer que compartilham “impressões” e “ideias”.

Apesar de ter sido escolhido por Lula, Galípolo tem adotado postura técnica e conservadora no combate à inflação. Desde que chegou ao BC, participou de 16 reuniões do Copom, sendo sete votações a favor de aumentos da Selic, três ainda como diretor de Política Monetária e quatro já como presidente da autarquia.

O ciclo de alta dos juros começou em setembro de 2024, quando o BC inverteu a trajetória de cortes diante do aumento das incertezas fiscais, instabilidade cambial e crescimento das expectativas inflacionárias.

Com a Selic a 15% ao ano, o cenário complica a estratégia econômica do governo, que tenta estimular o crescimento sem romper com as metas fiscais. A meta do BC é levar a inflação ao centro da banda, o que tem se mostrado um desafio diante da gastança do Executivo e das dificuldades de Haddad em conter a desconfiança do mercado.

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