Encontro no Chile busca fortalecer multilateralismo, mas expõe vulnerabilidades de países latino-americanos frente à política dos EUA
A cúpula de presidentes de esquerda marcada para esta segunda-feira (21) em Santiago, no Chile, coloca o anfitrião Gabriel Boric, Lula, o colombiano Gustavo Petro, o espanhol Pedro Sánchez e o uruguaio Yamandú Orsi no centro de uma tensão crescente com os Estados Unidos. O encontro promovido para fortalecer o multilateralismo e “combater a desinformação”, ocorre semanas após Donald Trump anunciar tarifas de 50% ao Brasil.
A reunião no Chile busca consolidar uma frente contra as políticas comerciais de Trump. Segundo o governo chileno, os líderes defenderão uma “cooperação global baseada na justiça social”. No entanto, analistas ouvidos pela Bloomberg Economics alertam para o risco de retaliação. “Esses países resistem a ceder à pressão de Washington, que adota uma postura punitiva”, afirma Kenneth Roberts, professor da Universidade Cornell.
Riscos para Boric e Lula
Para Boric, cuja popularidade enfrenta quedas, o evento representa uma aposta arriscada. O Chile, dependente dos EUA como segundo maior parceiro comercial, teme represálias, especialmente sobre o cobre, principal produto de exportação. “Medidas econômicas americanas podem prejudicar o Chile no curto prazo”, alerta Roberts. A situação de Boric e Petro, com altas taxas de desaprovação, limita manobras políticas.
A cúpula difere do encontro do BRICS, que incluiu ditaduras como China e Irã e abordou temas sensíveis, como a desdolarização. “O Ministério das Relações Exteriores chileno evitará linguagem inflamatória para minimizar riscos”, avalia Brian Winter, da Americas Society. Ainda assim, qualquer declaração crítica pode desencadear novas tarifas, especialmente após Trump anunciar cartas a 150 países sobre sua política comercial.
Michael Shellenberger alerta que nações ocidentais intensificam o controle de informações, inspiradas em modelos autoritários.
“O plano é tornar obrigatória a identificação digital para que os governos possam congelar as contas bancárias daqueles que se recusam a se vacinar, criticam a migração em massa, se identificam como “gênero errado” e se envolvem em outros crimes de pensamento. Quase todas as nações ocidentais buscam um sistema totalitário de controle da informação inspirado na China e em “Black Mirror”. Seus esforços se intensificaram desde a eleição de Trump. Só os EUA estão no caminho”, afirma o jornalista em publicação no X.
Leaders from Europe & Latin America are meeting today to develop a global system of mass censorship. Their plan is to mandate digital IDs so governments can freeze bank accounts of those who refuse vaccinations, criticize mass migration, “misgender,” and engage in other thought… https://t.co/ibRo6xBWDe pic.twitter.com/ZNGLMyh1nK
— Michael Shellenberger (@shellenberger) July 21, 2025
O encontro, que antecede uma nova reunião na Assembleia Geral da ONU, testará a capacidade dos líderes de equilibrar resistência e pragmatismo diante de um adversário imprevisível.
