Durante participação no programa ALive desta terça-feira (18), apresentado por Claudio Dantas, o analista financeiro Hugo Queiroz comentou sobre a proposta do grupo liderado pela holding de investimentos Fictor para adquirir o Banco Master.
O aporte inicial prometido para a compra era de R$ 3 bilhões, mas o negócio não avançou: horas após o anúncio, a Polícia Federal prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, em uma megaoperação que investiga a emissão de títulos de crédito falsos envolvendo o banco e o BRB. Na mesma manhã, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master.
Queiroz destacou que chama atenção o fato de a Fictor não ter patrimônio suficiente para honrar a operação: “Então isso, efetivamente, chama a atenção. Como um grupo que não tem um patrimônio suficiente faz uma proposta dessa? E aí, obviamente, teve o desenrolar de um grupo de Abu Dhabi”.
Para a compra do Master, a Fictor havia formado um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos, cujos nomes só seriam revelados na próxima sexta (21). Com a liquidação e a operação, a Fictor desistiu do negócio.
O analista ressaltou que o Brasil não tem histórico de transações efetivas envolvendo instituições financeiras obscuras, apenas anúncios de intenção, e que fatores internacionais podem ter influenciado a decisão do Banco Central de liquidar o Master nesta manhã, apesar de recentes avanços em compliance na região, ainda considerada um paraíso fiscal.
Queiroz também apontou o histórico de fraudes no sistema bancário brasileiro: “Não vamos só dizer aqui do Banco Master, a gente viu americanas, a gente viu mais recentemente a própria Ambipar, que também se valeu de instrumentos de mercado financeiro, mercado estatal”.
“Então, a gente tem visto algumas movimentações na Carbono Oculto [que investiga o uso de postos de combustíveis para lavar dinheiro do PCC], com a REAG. E aí, nesse tocante, por conta de todo esse histórico, é que me dá a impressão de que eles tomaram essa decisão para evitar que seja um escândalo ainda maior”.
