Comissão vai investigar fraudes em aposentadorias e terá Aziz na presidência e Ayres como relator
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS será instalada nesta quarta-feira (18). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que os trabalhos começarão “impreterivelmente” nos próximos dias, após a Câmara concluir as indicações.
O colegiado investigará o roubo em aposentadorias e desvios feitos por sindicatos. A presidência ficará com o senador Omar Aziz (PSD-AM), e a relatoria será conduzida pelo deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A criação da comissão foi articulada pela oposição, que coletou assinaturas no Congresso para viabilizar a instalação, oficializada em 17 de junho. A CPMI terá 16 membros de cada Casa e prazo de até 180 dias para funcionar.
O Senado já definiu seus representantes. Entre os titulares estão Jorge Seif (PL-SC), Izalci Lucas (PL-DF), Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Humberto Costa (PT-PE). O PDT, que havia desistido de participar, indicou Leila Barros (DF).
Na Câmara, a definição ainda depende dos líderes partidários. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou a escolha de Ayres para a relatoria. Segundo ele, o deputado não assinou o requerimento que abriu a comissão. “O mais grave é que ele nem assinou para que a CPMI fosse instalada. Ou seja: se dependesse dele, a CPMI não existiria”, disse.
A preferência por um nome do Centrão foi vista como recado político de Hugo Motta à oposição. Parlamentares lembram que, após o motim no plenário da Câmara na semana passada, Motta enfrenta dificuldades para negociar com os bolsonaristas.
Líderes do Congresso avaliam que a CPMI precisa de condução equilibrada. A indicação de Aziz e Ayres busca reduzir atritos, em um momento em que parte do Centrão também apoia pautas como a redução do foro privilegiado e a anistia dos envolvidos no 8 de Janeiro.
