Correios é Ralo: “não vão conseguir pagar a conta”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Correios é Ralo: “não vão conseguir pagar a conta”

Valério Marçal, ex-CEO e ex-CFO dos Correios, afirma no Alive que a estatal não conseguirá pagar suas dívidas e detalha problemas de gestão, fraudes e processos judiciais que comprometem a empresa.
Valério Marçal, ex-CEO e ex-CFO dos Correios, afirma no Alive que a estatal não conseguirá pagar suas dívidas e detalha problemas de gestão, fraudes e processos judiciais que comprometem a empresa.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Nesta quarta-feira (15), durante o programa Alive no YouTube, Valério Marçal, ex-CEO dos Correios, detalhou a situação financeira da estatal e afirmou que a empresa não conseguirá honrar suas dívidas.

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Valério Marçal afirmou que, sob sua gestão, os Correios receberam uma empresa com dívida de 6 bilhões de reais, frota e parque tecnológico sucateados e patrimônio líquido negativo. Ele destacou que, com a liderança do presidente Floriano Peixoto, a prioridade era controlar gastos e impedir fraudes internas.

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Marçal disse que a empresa foi entregue com caixa de 3,5 bilhões de reais, frota 100% renovada e patrimônio líquido de quase 8 bilhões. Segundo ele, toda a transformação ocorreu sem empréstimos e quitando dívidas existentes.

O executivo explicou que os Correios hoje enfrentam uma série de processos judiciais promovidos por sindicatos, que aumentam ano a ano, e que a empresa não tem condições de investir ou privatizar. Ele afirmou que parte das dívidas está relacionada a roubos anteriores, incluindo um desvio de 12 bilhões de reais no Postalis, e que bilhões foram aplicados em títulos públicos da Venezuela e da Argentina.

“Fundo simples, nós tivemos a liderança do presidente Floriano Peixoto, e a ordem era clara: não roubar, não deixar roubar e gastar o que tem em caixa”, disse Marçal. Ele ressaltou que a maior confusão nos Correios, segundo ele, é provocada por empregados de colarinho branco que manipulam contratos e pagamentos.

Marçal detalhou problemas de concentração de funções na administração pública: “Na administração pública, você não pode concentrar essas atividades. Quando tudo está concentrado numa mesma pessoa, abre-se possibilidade de contratação e pagamento superfaturados sem que ninguém perceba. Na nossa gestão, o presidente Floriano colocou um diretor para contratações e eu fiquei na área financeira para efetuar os pagamentos. Era segregado.”

O jornalista Cláudio Dantas e a cientista política Júlia Lucy destacaram que, sem garantias, bancos públicos e privados não emprestam para a estatal. Lucy comentou que a União terá que entrar como garantia em operações futuras, reforçando a necessidade de debate sobre privatizações.

Marçal concluiu afirmando que os Correios não conseguirão pagar os empréstimos atuais, transferindo o ônus para contribuintes e sociedade.

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