Governo Lula banca megaestrutura da conferência climática com valores até seis vezes maiores que o mercado
A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que começa na próxima segunda-feira (10) em Belém (PA), virou alvo de críticas antes mesmo de começar.
O motivo: o custo milionário para ter um espaço na chamada zona verde do evento, área aberta ao público.
O metro quadrado dos stands pode custar o equivalente aos endereços mais caros da capital paraense.
A produtora Pronto-RG, responsável pela montagem e gestão do espaço, cobra até R$ 800 mil por 100 metros quadrados.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, recebeu um orçamento de R$ 400 mil apenas para montar o próprio stand. Os valores chamam atenção por superarem em muito o padrão de mercado.
Os pacotes são divididos em três categorias:
Bronze: R$ 335 mil por 50 m² (US$ 1.250/m²)
Prata: R$ 736 mil por 100 m² (US$ 1.350/m²)
Ouro: R$ 804 mil por 100 m² (US$ 1.500/m²)
Além do aluguel, tudo é cobrado à parte. Segundo a tabela oficial, uma impressora custa R$ 6 mil e uma TV de 85 polegadas sai por R$ 11,6 mil, valores até seis vezes mais altos que o preço de mercado.
Para críticos, o evento climático acabou se tornando um negócio lucrativo mascarado de sustentabilidade.
O contrato da Pronto-RG com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) soma R$ 86 milhões em recursos públicos e permite que a empresa lucre também com os aluguéis.

O modelo dispensa limite de preços e não exige nova licitação para os stands, o que levantou suspeitas de favorecimento.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) entrou com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo uma perícia sobre os valores cobrados e o cancelamento da exclusividade da produtora.
“Há indícios de venda casada e superfaturamento. O contrato permite cobrança livre sem controle de preço, o que é inaceitável em um evento pago com dinheiro público”, afirmou.
O evento da ONU em Belém será o maior do tipo já realizado no Brasil, com mais de 190 delegações internacionais.
A produção da COP30 e a OEI foram procuradas para comentar as denúncias, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.
