COP30 vira vitrine milionária em Belém: stands chegam a R$ 800 mil e contrato público já soma R$ 86 mi
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

COP30 vira vitrine milionária em Belém: stands chegam a R$ 800 mil e contrato público já soma R$ 86 mi

A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que começa na próxima segunda-feira (10) em Belém (PA), virou alvo de críticas antes mesmo de começar.

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Por Redação

Governo Lula banca megaestrutura da conferência climática com valores até seis vezes maiores que o mercado

A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que começa na próxima segunda-feira (10) em Belém (PA), virou alvo de críticas antes mesmo de começar.

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O motivo: o custo milionário para ter um espaço na chamada zona verde do evento, área aberta ao público.

O metro quadrado dos stands pode custar o equivalente aos endereços mais caros da capital paraense.

A produtora Pronto-RG, responsável pela montagem e gestão do espaço, cobra até R$ 800 mil por 100 metros quadrados.

O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, recebeu um orçamento de R$ 400 mil apenas para montar o próprio stand. Os valores chamam atenção por superarem em muito o padrão de mercado.

Os pacotes são divididos em três categorias:

Bronze: R$ 335 mil por 50 m² (US$ 1.250/m²)

Prata: R$ 736 mil por 100 m² (US$ 1.350/m²)

Ouro: R$ 804 mil por 100 m² (US$ 1.500/m²)

Além do aluguel, tudo é cobrado à parte. Segundo a tabela oficial, uma impressora custa R$ 6 mil e uma TV de 85 polegadas sai por R$ 11,6 mil, valores até seis vezes mais altos que o preço de mercado.

Para críticos, o evento climático acabou se tornando um negócio lucrativo mascarado de sustentabilidade.

O contrato da Pronto-RG com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) soma R$ 86 milhões em recursos públicos e permite que a empresa lucre também com os aluguéis.

Quartos de um dos navios transatlânticos para COP 30 em Belém. — Foto: Reginaldo Gonçalves
Quartos de um dos navios transatlânticos para COP 30 em Belém. — Foto: Reginaldo Gonçalves

O modelo dispensa limite de preços e não exige nova licitação para os stands, o que levantou suspeitas de favorecimento.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) entrou com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo uma perícia sobre os valores cobrados e o cancelamento da exclusividade da produtora.

“Há indícios de venda casada e superfaturamento. O contrato permite cobrança livre sem controle de preço, o que é inaceitável em um evento pago com dinheiro público”, afirmou.

O evento da ONU em Belém será o maior do tipo já realizado no Brasil, com mais de 190 delegações internacionais.

A produção da COP30 e a OEI foram procuradas para comentar as denúncias, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.

 

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