Conselho de Ética julga deputados da direita por manifestação
Brasília, Domingo, 21 de junho de 2026
Política

Conselho de Ética julga deputados da direita por manifestação

Relatório prevê afastamento de dois meses para Pollon, Zé Trovão e Van Hattem

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Conselho de Ética da Câmara está votando hoje (05) a representação contra os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS) por suposta quebra de decoro parlamentar.

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A sessão está prevista para as 12h. Os parlamentares são investigados pela ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, quando impediram o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir a cadeira.

O relator do caso, deputado Moses Rodrigues (União-CE), recomendou a suspensão dos mandatos por dois meses. “Não se pode admitir que um grupo de parlamentares, qualquer que seja sua ideologia política, tente impor a pauta de seu interesse mediante chantagem pela ocupação física dos espaços de deliberação.”

A ação ocorreu em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pela votação de propostas relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Bastidores da votação

A equipe deste site apurou que há articulação da própria presidência da Câmara para aprovação da punição. Interlocutores relatam que Hugo Motta tem atuado para consolidar votos favoráveis à suspensão.

O Conselho de Ética é composto por 22 votantes. Em caso de empate, o presidente do colegiado pode exercer o voto de desempate.

Durante reunião do colegiado, o deputado Zé Trovão se manifestou contra a medida. “Meu coração hoje não está legal. E eu não estou com o coração apertado por conta de ter ou não o mandato suspenso por dois meses. Mas meu coração hoje não está legal porque ao meu redor existem famílias”, afirmou.

Ele também declarou: “E o que mais está me doendo hoje e é o que me faz às vezes de desistir da política, sabia? É que a gente não está aqui sendo julgado por corrupção, por lavagem de dinheiro, por desvio de recurso público, presidente. Isso aqui é uma perseguição política.”

Aliados dos deputados informaram que, em caso de aprovação da penalidade, haverá recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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