O governo Lula confirmou um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento de 2025, uma medida que deve atrasar os repasses destinados às universidades federais. Esse montante seria aplicado em reformas e na aquisição de insumos para os cursos oferecidos. Diante do congelamento de verbas, estudantes já denunciam a estrutura defasada e a falta de equipamentos nas instituições.
A federal do Rio de Janeiro amanheceu sobre protestos de estudantes, que ameaçam greve se repasses não forem feitos. O instituto de ginecologia, suspendeu internações e cirurgias oferecidas a população após o bloqueio.
No departamento de Geologia, apenas 11 microscópios estão em funcionamento, forçando as turmas a serem divididas em três para conseguir usar os equipamentos. Nos banheiros da universidade, as portas estão caindo e os pisos estão quebrados. Estudantes relatam falta papel higiência, sabonete e até iluminação. Baldes também armazenam a água que cai das goteiras nos tetos.
De acordo com a reitoria da UFRJ, o orçamento atual será usado para pagar contas básicas, como água, segurança, energia e parte da limpeza. O valor para reformas, transporte, bolsas e alimentação é insufiente.
Em São Paulo, a Unifesp teve protestos de alunos e professores em razão de problemas na estrutura e cancelamento de aulas por falta de luz e água. Antes mesmo do bloqueio, a universidade já corria o risco de não funcionar até o fim do ano, segundo a reitora.
Na federal de Santa Catarina, a construção de prédios para abrigar os cursos da saúde está parada desde 2017. Também no sul, a UFRGS denuncia falta de espaço para acomodar todos os alunos, elevadores de acessibilidade quebrados, infestação de escorpiões, além de infiltrações e alagamentos — mesmo problema enfrentado na Universidade Brasília, que teve perda de equipamentos, livros e mobílias após uma forte chuva por falta de sistema de drenagem.
No nordeste, base eleitoral do governo Lula, a federal da Bahia teve até peça teatral como forma de protesto contra a obra parada da Escola de Teatro. No Maranhão, a falta de segurança dentro do Campus foi a principal reinvnidicação dos estudantes, que também pediram mais bebedouros.
“Você já imaginou a UFRN fechando as portas por não ter dinheiro para pagar a conta de energia?”, diz um vídeo dos estudantes da federal do Rio Grande do Norte. Insatisfeitos com o ministério da Educação, um protesto foi convocado para a quinta-feira (29).
