CNM critica decisâo de Flávio Dino sobre leis estrangeiras
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

CNM diz que medida de Dino enfraquece a autonomia dos municípios

Confederação de Municípios critica Dino
Foto: Reprodução/@STF_oficial

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Por Isac Mascarenhas

O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, criticou o despacho do ministro Flávio Dino, que determinou que decisões judiciais e atos de governos estrangeiros não têm validade no Brasil sem homologação judicial.

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A decisão, que atinge diretamente municípios que buscavam reparação pelo desastre de Mariana (MG) em tribunais da Inglaterra e da Holanda, é vista pela CNM como um “retrocesso” que enfraquece a autonomia municipal.

Em nota, a CNM afirma que a decisão de Dino coloca em risco a capacidade dos municípios de defenderem seus próprios direitos, inclusive fora do país, o que contraria o federalismo brasileiro.

“A decisão representa um retrocesso, pois desconsidera que os Municípios têm personalidade jurídica, ou seja, direitos e deveres próprios”, diz o comunicado, destacando que as relações com atores internacionais são cada vez mais constantes.

A entidade argumenta que o despacho de Dino, ao subordinar os municípios à União, vai contra o modelo de federalismo cooperativo. “O debate, afinal, não é sobre os Municípios agirem em nome da União, mas sobre sua legitimidade de proteger seus próprios interesses de forma autônoma”, ressaltou Ziulkoski.

Na decisão, Dino afirmou que “qualquer violação [à soberania nacional] constitui ofensa à soberania nacional, à ordem pública e aos bons costumes” e que, por isso, se presume a “ineficácia de tais leis, atos e sentenças emanadas de país estrangeiro”.

O ministro convocou uma audiência pública para ouvir prefeitos e outros interessados no tema antes do julgamento de mérito da ação.

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