EUA nova tarifa de 12,5% ao Brasil sobre trabalho forçado
Brasília, Quinta, 23 de julho de 2026
Mundo

Urgente: EUA impõem nova tarifa de 12,5% ao Brasil sobre trabalho forçado

Sobretaxa se soma à taxa de 25% já aplicada por Washington e pode elevar cobrança sobre produtos brasileiros para até 37,5%

Representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Foto: Saul Loeb / AFP

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros com base em uma investigação comercial relacionada ao combate ao trabalho forçado. A medida faz parte de um pacote que atinge 60 economias e deve se somar à sobretaxa de 25% já aplicada pelo governo americano ao Brasil na semana passada em outro processo.

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Com a nova cobrança, parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos poderá enfrentar uma tarifa adicional de até 37,5%.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado por Washington para responder a práticas comerciais consideradas desleais.

Segundo o órgão americano, o Brasil foi incluído no grupo de países que, na avaliação dos Estados Unidos, não possuem mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Em relatório divulgado pelo USTR, o governo americano afirmou que, embora o Brasil tenha compromissos internacionais de combate ao trabalho escravo, o país não teria uma proibição considerada efetiva contra a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno.

O documento cita medidas brasileiras, como a Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada pelo governo federal, mas afirma que a investigação teve como foco a ausência de regras para impedir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países.

Investigação dos EUA

De acordo com o USTR, a investigação começou em março de 2026, após determinação do presidente americano Donald Trump. O processo envolveu consultas com governos, audiências públicas e análise de manifestações enviadas por empresas e organizações.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a falta de medidas contra produtos feitos com trabalho forçado prejudica trabalhadores americanos.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais essa disparidade”, declarou Greer.

Na decisão final, o USTR estabeleceu tarifas de 10% para países que já adotaram medidas contra a importação de bens produzidos com trabalho forçado e de 12,5% para aqueles considerados insuficientes nesse combate — grupo no qual o Brasil foi incluído.

Exceções à tarifa

O governo americano informou que alguns produtos poderão ser excluídos da cobrança. Entre os casos previstos estão matérias-primas cuja tributação possa causar falta de abastecimento nos Estados Unidos, itens que provoquem impactos econômicos amplos e produtos que não possam ser produzidos em quantidade suficiente no mercado americano.

Também poderão ser isentos produtos cuja exclusão, segundo o USTR, contribua para incentivar outros países a adotar medidas contra o trabalho forçado.

Nova etapa do “tarifaço” de Trump

A nova tarifa ocorre em meio a uma ofensiva comercial do governo Trump. As sobretaxas anunciadas substituem uma tarifa global de 10% criada anteriormente pelo presidente americano com base na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, cuja validade termina nesta sexta-feira (24).

Após decisões judiciais questionarem o uso de outro instrumento legal para a aplicação de tarifas, o governo americano passou a recorrer à Seção 301 para manter medidas contra parceiros comerciais.

O Brasil já vinha sendo alvo de uma tarifa adicional de 25%, anunciada na semana passada pelos Estados Unidos em uma investigação envolvendo questões comerciais e políticas.

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