Nogueira explica que Senado pode atrapalhar o retorno da elegibilidade de Bolsonaro
O senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) defendeu a retomada do debate sobre a elegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e criticou a falta de avanço de projetos considerados prioritários por seu campo político no Congresso Nacional.
Segundo o parlamentar, “gostaria muito que o presidente Bolsonaro se tornasse elegível” e afirmou já ter apresentado uma proposta com esse objetivo, mas que “o Senado não coloca para votar”.
Ciro, que foi ministro da Casa Civil durante o governo Bolsonaro, disse ter se tornado um político “pragmático” e reconheceu entraves institucionais para a aprovação de pautas como a anistia ampla a apoiadores do ex-presidente.
“Eu luto dia e noite para que a gente aprove uma anistia ampla, geral e irrestrita, mas ela não vai acontecer da forma como está, com esse Senado que temos hoje. A Câmara até conseguiria aprovar, mas o Supremo certamente derrubaria essa medida”, afirmou.
O senador também comentou o cenário eleitoral e reafirmou o apoio a Bolsonaro. “Meu candidato seria Jair Messias Bolsonaro. Quero muito que isso aconteça”, disse.
Ciro avaliou que houve aumento da rejeição ao bolsonarismo e atribuiu parte desse movimento à narrativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria ‘defendendo o país’ após episódios envolvendo sanções internacionais aplicadas a políticos ligados à direita.
“O presidente Lula teve uma recuperação por conta dessa narrativa, e isso prejudicou nosso campo político”, avaliou.
O ex-ministro demonstrou solidariedade ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), citado em casos de tensão diplomática. “Não condeno o Eduardo por isso, não sei o que faria se meu pai tivesse sido injustiçado. Me coloco no lugar dele”, declarou.
Ciro disse acreditar que Lula voltou a ter força eleitoral, embora avalie que parte dos eleitores rejeita sua candidatura. “Há três meses, Lula não seria nem candidato, agora voltou a ser competitivo. Mas até parte do próprio eleitorado lulista não quer que ele dispute”, afirmou. Para o senador, o favoritismo do petista decorre da “ausência de um adversário à altura”.
Por fim, Ciro Nogueira defendeu a reunificação do campo conservador e criticou o afastamento do debate sobre temas centrais. “Estamos perdendo o discurso do que realmente interessa na vida do cidadão. O problema da segurança, que está assustando as pessoas, e o da inflação, que corrói o salário de quem quer comprar alimento. Criaram uma cortina de fumaça que esconde os verdadeiros problemas do país”, concluiu.
