ALive: Ciclo político que vendia esperança acabou
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

ALive: Ciclo político que vendia esperança acabou

ALive: Ciclo político que vendia esperança acabou
Foto: Reprodução/ YouTube @ClaudioDantasOficial

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

“Não é só o Lula que envelheceu”

Durante o programa ALive desta sexta-feira (28), apresentado por Claudio Dantas, o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que chegou ao fim o “ciclo político” de um projeto que “vendia esperança e não entregava”. “Não é só o Lula que envelheceu”, destacou.

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Segundo o parlamentar, o antigo modelo político perdeu legitimidade: “Hoje deixou de ter o símbolo de que todo mundo é ladrão, então eu vou votar no ladrão bonzinho. Aquele ladrão generoso que faz Bolsa Família, que dá vale-gás, dá vale-isso”.

Moreira afirmou ainda que a Operação Escudo, que resultou na morte de mais de 100 narcoterroristas do CV no Rio, deixou evidente quem realmente defende o crime. “Ficou claro quem é que fica na defesa do crime, quem é que está do lado do criminoso, quem lá na CPI não deixa o criminoso falar, quem defende o crime”, salientou o emedebista.

“Essa marca colou nos partidos de esquerda. As pessoas mais pobres da favela, ele até tolera esse desvio de conduta do ponto de vista do roubo, do desvio, mas ele não tolera o crime”, completou. “E isso desmoraliza completamente esse sistema que faz de burro”.

“Nós estamos prontos para construir um outro projeto de país e que se nós tivermos o mínimo de capacidade de construção, teremos um presidente da república intelectualizado, íntegro, alguém que tenha um desenho adjetivo, e o nosso país vai aproveitar as oportunidades que tem e desembarcar no primeiro mundo em oito anos”, finalizou o parlamentar.

Mais fiscalização e menos dinheiro público

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Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

Em outro trecho do programa, o cientista político Paulo Kramer defendeu maior fiscalização das doações privadas e criticou o financiamento público. “Eu acho que em vez de estimular ou apoiar o financiamento público de campanhas nos espaços políticos, nós devemos, obviamente, fiscalizar e descriminalizar ou descriminar, não sei qual é o verbo, as doações privadas”, disse, lembrando que o STF proibiu doações de empresas para campanhas em 2015.

Kramer afirmou que, com o descrédito dos partidos, as doações de pessoas físicas se tornaram residuais e criticou o aumento do fundo partidário e eleitoral. “Eles vão expulsando pelas margens recursos que poderiam ser utilizados em benefício da população na área de educação, saúde, segurança, saneamento, transporte etc.”

Ele também defendeu que os partidos usem os recursos de fundações e institutos para formular projetos e programas, destacando que hoje esses espaços são “subaproveitados”.

Ao comentar sobre o tema, Moreira afirmou que o problema vai além do financiamento eleitoral ser público ou privado, sendo estrutural: “É que o modelo político de voto uninominal acaba transformando, inclusive, alguns com estrutura familiar, que elegem a família, porque acham que o mandato é um patrimônio deles”. Ele citou como exemplo que a suplente senadora do Ciro Nogueira é a mãe dele.

Para mudar o cenário, Moreira defendeu o voto distrital misto, em que parte dos representantes é eleita por lista, reduzindo a dependência de lobbies e financiamento: “O voto distrital misto está presente em mais de 60 países. Com as imperfeições da democracia, é o melhor sistema vigente no mundo”.

O parlamentar também criticou o sistema atual, com 30 partidos e voto uninominal, ressaltando que apenas 5 redes políticas dominam a disputa: “Não existe mais do que isso. Se tu der uma perguntada a um grupo de parlamentares por que motivo ele está no partido, tu vai rir da resposta. Porque ninguém sabe exatamente por que está no partido A ou B. Ninguém sabe qual é a diferença da proposta de uma sopa de letrinhas”.

Segundo Moreira, com o distrital misto, “a eleição fica muito mais barata e o comportamento do Congresso muda completamente. Porque quem se elege pela lista, quando ele vai se manifestar lá na comissão, vai defender o projeto político que elegeu e não quem pagou sua eleição”.

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