Diplomata diz que Brasil ‘dobra a aposta’ no Brics diante de ameaças dos EUA
Em entrevista ao Financial Times, o assessor de Política Externa da Presidência, Celso Amorim, afirmou que a interferência de Donald Trump nos assuntos internos brasileiros não ocorreu “nem nos tempos coloniais”. A comparação não parou por aí: e que ele “nem mesmo a União Soviética teria feito algo assim”.
A declaração de Amorim ecoa após anúncio de Trump neste domingo (27), que confirmou a manutenção do prazo para as tarifas entrarem em vigor na próxima sexta (1).
Amorim defendeu que as sansões propostas pelo presidente americano estão, na verdade, fortalecendo as relações do Brasil com o Brics, que agora, segundo ele, terá uma responsabilidade maior. O diplomata reiterou que a aliança do bloco não é ideológica, mas busca defender a ordem global multilateral à medida que os EUA a abandonam.
“Queremos ter relações diversificadas e não depender de nenhum país”, disse, citando parceiros na Europa, América do Sul e Ásia.
O embaixador defendeu a rápida ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul e citou o interesse do Canadá em negociar um acordo de livre comércio com o Brasil. Ele também indicou que o governo Lula, em seu último ano, intensificará o foco na América do Sul para maior integração regional.
Celso Amorim finalizou a entrevista criticando a postura do presidente americano: “Os países não têm amigos, somente interesses”. E concluiu: “Trump não tinha nem amigos, nem interesses, somente desejos. Uma ilustração de poder absoluto.”
