A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou que brasileiros precisam ter a garantia de que estão sendo julgados por magistrados isentos. Declaração foi feita ontem (18) durante palestra no Centro Universitário de Brasília (CEUB).
“Deus me livre de ser julgada por um juiz que não seja independente, imparcial, ético e honesto”, afirmou a magistrada durante a palestra.
Na palestra, a ministra também defendeu maior presença feminina no Judiciário: “Há mulheres competentíssimas que podem estar no Supremo, que devem estar no Supremo, no Superior Tribunal [de Justiça] e em qualquer lugar”.
Em seguida, ela acrescentou que também quer “homens competentes” nos tribunais. “Eu não quero ser julgada por alguém que seja dependente, que seja apenas um bajulador que chega lá por conta disso e que não tenha independência para julgar.”
Segundo Cármen, a igualdade passa pela participação de homens e mulheres. “a ética da igualdade passa pela participação de todas as pessoas, mulheres e homens, para que a gente tenha um consenso político que seja verdadeiramente democrático”.
A ministra também alertou para a violência política de gênero, com foco nas eleições de 2026. Segundo ela, as novas tecnologias ampliam ataques contra mulheres.
“O discurso contra nós é sempre sexista e desmoralizante. Contra o homem, dizem que é um mau administrador ou que participou de algum conchavo. Contra nós, as referências são sempre sexuais e sempre atingem, além de nós, as nossas famílias”, afirmou.
Cármen Lúcia deixa a presidência do TSE em junho. Kassio Nunes Marques assumirá o comando da Corte e conduzirá as eleições gerais de outubro.
A ministra é elatora do código de conduta para a Corte proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin. A proposta só deve ser discutida pela Corte após as eleições. A proposta busca estabelecer regras para o comportamento de ministros do STF em meio ao desgaste da imagem da Corte, após repercussões do caso Master.
Hoje, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro das críticas por ligações com Daniel Vorcaro, dono da instituição e atualmente preso preventivamente pela Polícia Federal (PF).

