A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (13) que tem sido aconselhada por familiares a deixar a Corte em razão de ataques e ofensas direcionados a sua atuação como magistrada.
A declaração foi feita durante participação em uma palestra em São Paulo. Segundo a ministra, o ambiente de exposição pública e as críticas constantes ao trabalho no STF têm gerado preocupação dentro de sua própria família, especialmente em relação a episódios de ataques de caráter machista e ofensivo.
Cármen Lúcia destacou que o nível de hostilidade pode influenciar até a decisão de futuros magistrados de aceitarem uma vaga no Supremo. Ela afirmou que o discurso de ódio atinge de forma diferente homens e mulheres, sendo mais agressivo no caso das ministras.
“Todo mundo da minha família fala: ‘Cármen, sai disso, chega, já fez o que tinha que fazer’”, relatou.
Apesar disso, a ministra afirmou que mantém sua atuação baseada estritamente na legalidade e na responsabilidade institucional. Ela disse ainda que suas decisões seguem critérios jurídicos e que não se afasta dos princípios que orientam sua trajetória na magistratura.
Em outro momento, Cármen Lúcia reforçou que, apesar das pressões externas e familiares, não pretende se afastar por conta das críticas. A ministra também relembrou episódios anteriores em que relatou ter sido alvo de ataques e ameaças, incluindo a possibilidade de atentado.
Ela ocupa uma cadeira no STF desde 2006, após ser indicada pelo presidente Lula (PT), e tem aposentadoria compulsória prevista para 2029, quando completa 75 anos.
