Antunes diz querer “responder às perguntas” e irá ao Congresso
Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, vai depor às 16h desta segunda (15) na CPMI que apura descontos ilegais em benefícios do INSS, no Congresso. A confirmação foi feita por seu advogado, Cleber Lopes, que afirmou a Folha de S. Paulo que o cliente “quer falar” e “responder às perguntas”.
No sábado (13), o ministro do STF André Mendonça decidiu que investigados não são obrigados a comparecer à CPMI, tornando facultativa a ida de Antunes e do também investigado Maurício Camisotti, cuja oitiva está marcada para quinta (18). Mesmo com a dispensa, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (MG), disse considerar os depoimentos “fundamentais” e informou que buscaria reverter a decisão para assegurar as oitivas.
Alvos e valores sob investigação
A Polícia Federal aponta Antunes como um dos operadores de um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões por meio de descontos para bancar associações. Segundo a investigação, o prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões para aposentados e pensionistas. Antunes e Camisotti foram presos preventivamente na sexta (12) por ordem de Mendonça. Na mesma operação, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no DF, para evitar obstrução da apuração e ocultação de patrimônio.
De acordo com relatórios policiais, Antunes teria recebido R$ 53,58 milhões de entidades associativas e intermediárias. As apurações indicam repasses de R$ 9,32 milhões a servidores e empresas ligados à cúpula do INSS. Os dados estão sob sigilo e seguem sendo analisados.
Defesa se manifesta enquanto CPMI avança
A defesa afirma que Antunes não operava fraudes. “As associações captavam os associados; se havia fraude, ele não tinha como saber”, disse Lopes. Para o advogado, a narrativa de que seu cliente seria “operador” é “uma bizarrice”. Na semana passada, a CPMI aprovou a quebra de sigilos bancário e telemático de Antunes.
Deputados e senadores esperam extrair nomes de envolvidos e outros elementos que destravem a investigação. Integrantes da comissão avaliam que depoimentos já tomados — como o do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi e o do ex-presidente do INSS Armed Mohamad Oliveira — trouxeram poucos fatos novos.
A comissão espera que Antunes leve informações que confirmem ou afastem a tese de “operador” do esquema. Resta saber se Camisotti manterá a oitiva de quinta (18) ou usará o direito de faltar, amparado pela decisão de Mendonça. Novas quebras de sigilo e diligências podem ser votadas após as oitivas.
