Declaração foi feita durante missa após canonização de santos venezuelanos
Durante a missa de ação de graças pela canonização dos primeiros santos da Venezuela, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, defendeu que o país construa seu futuro a partir da justiça, da verdade, da liberdade e do respeito aos direitos humanos.
A celebração aconteceu na segunda-feira (20), na Basílica de São Pedro, um dia após a canonização de José Gregorio Hernández e Maria Carmen Rendiles, conduzida pelo Papa Leão XIV.
Parolin, que já foi núncio apostólico em Caracas, classificou o momento como um “kairos”, isto é, uma oportunidade para que a Venezuela enfrente seus desafios internos e busque a reconciliação.
“Somente assim, querida Venezuela, você poderá responder à sua vocação pela paz, se a construir sobre os fundamentos da justiça, da verdade, da liberdade e do amor, respeitando os direitos humanos, criando espaços de encontro e de convivência democrática, dando prioridade ao que une e não ao que divide, buscando os meios e as oportunidades para encontrar soluções comuns aos grandes problemas que a afetam, colocando o bem comum como objetivo de toda atividade pública”, afimou.
Durante a homilia, Parolin fez referência a passagens bíblicas que destacam o cuidado com os mais vulneráveis e afirmou que os dois novos santos responderam a esse chamado com atitudes concretas.
“Compartilhem o pão com o faminto, deem abrigo aos sem-teto, vistam os que veem nus e não virem as costas para a sua carne”, disse, citando Isaías.
O cardeal também destacou a atuação de José Gregorio Hernández como médico dedicado aos pobres, e de Madre Carmen Rendiles como exemplo de liderança e transmissão da fé. Segundo ele, ambos representam valores que podem inspirar ações voltadas ao bem comum.
O Papa Leão XIV, que presidiu a canonização, também se dirigiu aos fiéis no domingo (19), pedindo que a população veja nos santos um espelho da realidade venezuelana.
“Quem vive ao meu lado, como eu, como eles, é chamado à mesma santidade, e por isso devo vê-lo, antes de tudo, como um irmão a quem respeitar e a quem amar”, afirmou o pontífice.
A missa contou com a participação do Coro Simón Bolívar, ligado ao Sistema de Orquestras da Venezuela, além de bispos, padres e peregrinos que viajaram a Roma para acompanhar a canonização.
