Câmara acelera projeto que amplia controle estatal sobre plataformas digitais
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara acelera projeto que amplia controle estatal sobre plataformas digitais

Sob argumento de “garantir concorrência”, proposta fortalece atuação do Cade e levanta alerta sobre impactos no alcance de conteúdos

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (18), o regime de urgência para o Projeto de Lei 4675/25, iniciativa do governo que estabelece novas regras para a atuação de grandes plataformas digitais no Brasil.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Com 276 votos favoráveis e 186 contrários, o texto passa a tramitar de forma acelerada, sem análise prévia pelas comissões.

Na prática, a proposta amplia o poder do Estado sobre os mercados digitais sob o argumento de promover concorrência.

O projeto cria um regime específico para empresas consideradas de “relevância sistêmica”, gigantes da tecnologia com capacidade de influenciar o funcionamento de setores inteiros da economia digital.

O texto também prevê a criação de uma Superintendência de Mercados Digitais dentro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que terá a função de monitorar permanentemente essas empresas, requisitar dados, abrir processos e sugerir medidas regulatórias.

Caberá ao tribunal do Cade a decisão final sobre eventuais sanções e obrigações.

Uma vez enquadradas como sistêmicas, as plataformas poderão ser submetidas a uma série de exigências, que incluem maior transparência sobre algoritmos, critérios de ranqueamento, uso de dados e estrutura de preços, além de regras para comunicação de mudanças aos usuários.

Embora o projeto trate formalmente de concorrência econômica, e não de conteúdo, a amplitude das obrigações e o alcance da atuação estatal levantam questionamentos sobre seus efeitos indiretos.

Nos bastidores, críticos apontam que, na prática, a medida abre espaço para maior interferência no funcionamento das plataformas.

A discussão ganha peso adicional em um cenário pré-eleitoral. Há a preocupação de que o aumento da regulação possa impactar a distribuição de conteúdos, reduzindo alcance e, consequentemente, influenciando o ambiente de debate público.

O próprio critério de “concorrência justa” passa a ser alvo de questionamentos: quem define os limites e as regras dentro de um ecossistema digital cada vez mais central na formação de opinião?

Entidades que representam empresas de tecnologia já se posicionaram contra a proposta, alegando que as medidas podem elevar custos, restringir a oferta de serviços e desestimular investimentos no país.

Por outro lado, defensores do projeto afirmam que a regulação é necessária para conter abusos de poder econômico e garantir condições mais equilibradas de mercado.

O mérito do projeto ainda será analisado pelo plenário da Câmara.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade