Câmara aprova PL que limita embargos ambientais baseados em imagens de satélite
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Política

Câmara aprova PL que limita embargos ambientais baseados em imagens de satélite

Texto garante notificação prévia e mais transparência em ações de fiscalização ambiental

devedor contumaz - Câmara derruba 52 vetos ambientais foto: Câmara dos Deputados
Foto: Câmara dos Deputados

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Por Redação

A Câmara dos Deputados aprovou ontem (20) projeto de lei que impede a fiscalização ambiental de adotar medidas cautelares, como a antecipação de sanções, listadas na Lei dos Crimes Ambientais. Na prática, o projeto veda embargos ambientais baseados exclusivamente na detecção remota da infração por satélites. O texto segue agora para o Senado.

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A proposta, de autoria dos deputados Lucio Mosquini (PL-RO) e Zé Adriano (PP-AC), foi aprovada na forma de substitutivo apresentado pela relatora, deputada Marussa Boldrin (MDB-GO).

No parecer final, Boldrin manteve a possibilidade de uso de imagens de satélite na fiscalização, mas condicionou a aplicação de embargos à notificação prévia do responsável, garantindo prazo para apresentação de esclarecimentos e documentos.

Na prática, a medida limita intervenções imediatas em casos de desmatamento ou infrações ambientais, ainda que em situações já flagradas por monitoramento remoto. O texto também veda a destruição ou inutilização de equipamentos e produtos ligados a crimes ambientais como medida cautelar, por considerar antecipação de sanção.

Essas ações são hoje utilizadas pelo Ibama em casos graves, com base no Decreto 6.154/08, especialmente quando há dificuldade de remoção de máquinas usadas em desmatamento ilegal, o que permite interromper o avanço do dano ambiental.

Durante a votação, o autor do projeto, Lucio Mosquini, afirmou que há punições sem garantia de defesa. “Não podemos, a custo do uso dos satélites, afrontar o direito de defesa do cidadão. Esse é um princípio elementar da democracia. Quando um equipamento eletrônico usurpa esse direito, temos de nos insurgir contra isso”, disse.

Ele também criticou o modelo atual de fiscalização. “O satélite não sabe se aquilo é desmatamento, se colocou fogo na propriedade, se houve tempestade e caiu árvore. O que ele faz, através de IA [inteligência artificial], é embargar”, afirmou.

A relatora Marussa Boldrin classificou a proposta como pertinente. “Garantimos o amplo direito de defesa dos nossos produtores, da nossa agricultura, pecuária e do meio ambiente”, disse.

O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que o texto reforça garantias ao setor produtivo. “Fim do embargo ambiental automático”, defendeu.

O projeto foi aprovado em votação simbólica, com orientação contrária das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-REDE, além do PSB.

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