Câmara gasta R$ 1 bilhão por ano com assessores sem controle de presença - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara gasta R$ 1 bilhão por ano com assessores sem controle de presença

Motta diz que pode punir deputados que ocuparam mesa diretora
Gestão Motta bate recorde em gastos com funcionários "invisíveis"

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Por Redação

A Câmara dos Deputados destina mais de R$ 1 bilhão anualmente a salários, gratificações e auxílios de cerca de 10 mil secretários parlamentares, contratados por deputados para atuar em Brasília ou em seus estados. Esses funcionários, que representam 69% dos servidores da Casa, não têm jornada de trabalho fiscalizada. O controle recai sobre os próprios gabinetes, que emitem atestados frágeis, sem detalhamento de horários. Nos estados, a fiscalização é inexistente, já que muitos deputados nem possuem escritórios regionais.

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De acordo com a Folha de S. Paulo, na gestão do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), o gasto atingiu níveis recordes: R$ 539,2 milhões no primeiro semestre de 2025, 11% a mais que em 2024. Casos de funcionários fantasmas, como os revelados no gabinete de Motta, ilustram a gravidade do problema. Uma fisioterapeuta atendia em clínicas privadas, outra acumulava cargo público, e uma terceira, filha de aliados políticos, estudava medicina em outro estado. Duas foram demitidas após denúncias; a terceira permanece.

Cada deputado dispõe de R$ 133 mil mensais para contratar até 25 secretários parlamentares, com salários entre R$ 1,5 mil e R$ 18,7 mil, além de benefícios.  Denúncias de “rachadinhas”, contratação de cabos eleitorais disfarçados de assessores e uso de servidores para tarefas pessoais, como serviços domésticos, persistem há anos

Motta criou um grupo de trabalho para reforma administrativa, mas ignora medidas para fiscalizar os próprios servidores da Câmara. Pedro Paulo (PSD-RJ), coordenador do grupo, justifica a falta de controle nos estados: “Como fiscalizar quem atua na base, atendendo prefeitos ou fiscalizando obras?” A Mesa Diretora, presidida por Motta, também não debateu soluções.

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