Motta cobra responsabilidade fiscal do governo antes de avançar na pauta orçamentária
Criminosos não são os únicos a desafiar a lei. O próprio governo tem enfrentado dificuldade para cumprir as regras fiscais que ele mesmo criou.
No fim da noite desta terça-feira (21), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a Casa só deve votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 depois que o governo resolver o problema fiscal.
“Só adianta votar a LDO depois de resolver o problema fiscal, para não ter de votar alterando a meta”, declarou Motta ao deixar o Congresso.
O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, ainda tenta formular novas medidas de arrecadação após a caducidade da medida provisória que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), uma das principais apostas do governo para elevar receitas.
A MP perdeu validade no início de outubro, depois que os deputados decidiram retirar o texto de pauta diante da resistência à criação de novos tributos.
Desde então, a equipe econômica busca alternativas comprometedoras para fechar o Orçamento de 2026, estudando mudanças em PIS/Cofins e nas regras do seguro-defesa, que devem chegar ao Congresso ainda nesta semana.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a pauta econômica está sob a condução direta do ministro Haddad e que as propostas serão debatidas com prioridade nos próximos dias:
“Toda essa pauta econômica está sendo conduzida pelo ministro Haddad e, na próxima semana, essas matérias todas vão tramitar aqui na Casa. A nossa preocupação, no momento, é votar, em primeiro lugar, a parte das despesas. Depois, queremos votar a questão dos incentivos fiscais. Temos um projeto, inclusive de minha autoria, que prevê um corte linear desses incentivos. Isso é muito importante, mas ainda não há consenso, porque não sentamos para discutir”, afirmou Guimarães.
Apesar da tentativa do governo de retomar o diálogo, a base aliada ainda não conseguiu construir maioria para votar a LDO, cujo texto enfrenta divergências sobre a meta fiscal e possíveis cortes de despesas.
A votação da LDO já foi adiada duas vezes a pedido do governo, o que pode atrasar a liberação de emendas parlamentares e comprometer a execução de programas estratégicos.
