O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta terça-feira (27) sua saída do União Brasil (UB). A declaração foi feita durante entrevista a rádio Novabrasil, em Goiânia.
Caiado citou a aliança formal entre o União Brasil e o Partido Progressista (PP), que resultou na criação da federação União Progressista. Segundo ele, o PP, ligado ao senador Ciro Nogueira, se opõe à sua candidatura presidencial, o que levou à busca por outra legenda.
O governador afirmou que a decisão já foi comunicada à direção do partido.
“Eu já informei o presidente do partido, o [Antônio] Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo-irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar”, disse.
De acordo com Caiado, a saída vem sendo discutida desde o fim de 2025 e não pode mais ser adiada.
“Irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, e o entendimento é avançarmos para a campanha. Isso é algo a ser resolvido nos próximos dias”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de a fragmentação de candidaturas favorecer a reeleição do presidente Lula (PT), Caiado negou e citou o último pleito presidencial do Chile como referência.
Segundo ele, no país sul-americano, candidatos da centro-direita se uniram no segundo turno em apoio a José Antonio Kast, que venceu a comunista Jeannette Jara.
“O que o Lula quer é 1 candidato só. Vamos ser realistas: é um governo sem escrúpulos e com a máquina toda montada para destruir 1 candidato apenas”, disse.
“Imagine o nível de retaliação contra um candidato único durante 10 meses? Esse é um processo bruto com o PT no poder. Se tivermos 1 candidato só, ele terá dificuldade de caminhar de hoje até 4 de outubro. Se tivermos 3 ou 4, ele [Lula] vai atirar em todos, mas um tiro vai pegar na clavícula, o do outro vai pegar no braço. Não haverá nenhum tiro no coração durante o 1º turno. No 2º turno, aquele que atravessar será eleito”, acrescentou.
Sobre o apoio de Jair Bolsonaro, Caiado afirmou que reconhece o peso político do ex-presidente, mas fez ressalvas.
“Ninguém nega” o prestígio de Bolsonaro, porém destacou que “uma coisa é ele ser candidato; outra é indicar um candidato. São duas coisas distintas. Por mais prestígio que a pessoa tenha, não se consegue transferir 100% dos votos”.
O governador afirmou ainda que pretende se apresentar como um candidato com resultados nas áreas de saúde, segurança pública e educação. Segundo ele, o presidente da República precisa ter “autoridade moral” para definir os limites entre os Poderes.
“O que precisamos no momento é ter um presidente da República. Mais do que saber quem vai ser eleito, é preciso saber se ele terá autoridade moral e capacidade de exercer a função. Do contrário, vai continuar essa deterioração, com os Poderes perdendo sua importância”, afirmou.
