O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (6) que países alinhados às “políticas antiamericanas” do Brics pagarão uma tarifa adicional de 10%. A medida gerou reações entre membros do bloco, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos.
Trump publicou em sua rede Truth Social: “Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics pagará uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção!”
O Kremlin respondeu que o Brics não atua contra terceiros países. “A cooperação dentro do Brics nunca foi e nunca será direcionada contra terceiros países”, afirmou o porta-voz Dmitry Peskov.
A China declarou que se opõe ao uso de tarifas como forma de coerção. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, disse que a prática “não serve a ninguém”.
A África do Sul afirmou que não é antiamericana e ainda busca um acordo comercial com os EUA. Segundo Kaamil Alli, porta-voz do Ministério do Comércio sul-africano, “nossas conversas continuam construtivas e frutíferas”.
A Malásia, parceira do Brics, reiterou que mantém uma política externa independente e focada na facilitação do comércio.
A Cúpula do Brics ocorre no Rio de Janeiro e termina nesta segunda-feira (7). Lula recebeu chefes de Estado e participou de reuniões bilaterais e plenárias ao longo do fim de semana. Além de Lula, Alckmin e o ministro Fernando Haddad também participaram.
O presidente brasileiro defendeu o multilateralismo, criticou políticas protecionistas e destacou o papel do Brasil na transição climática. Em discurso, falou sobre conflitos, crise nuclear e pediu diálogo na guerra da Ucrânia.
Putin participou por videoconferência. Os presidentes da China e do Irã enviaram representantes.
A declaração final do Brics inclui defesa de cessar-fogo imediato em Gaza e retirada das forças israelenses. Sobre a guerra na Ucrânia, o texto pede um acordo de paz, sem citar a Rússia. O bloco também condenou ataques ao Irã e manifestou preocupação com o risco de conflito nuclear.
O Brics criticou a imposição de tarifas unilaterais, sem mencionar Trump, e cobrou financiamento climático de países ricos. Também divulgou uma declaração sobre inteligência artificial, defendendo soberania digital e regulação global.
