Brasileira-Americana perseguida por Moraes; entenda - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Brasileira-Americana perseguida por Moraes; entenda

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O caso da brasileira-americana Flávia Magalhães Soares, alvo de uma ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, foi tema de debate no programa Alive, nesta terça-feira (11). O episódio contou com a participação da cientista política e advogada Carol Sponza, do presidente da Lexum, Leonardo Corrêa, e da própria Flávia, que relatou sua versão dos fatos.

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A advogada Carol Sponza destacou a falta de transparência no processo contra Flávia e a aparente irregularidade na citação. “Alexandre de Moraes sequer sabia que ela era cidadã americana e que tinha esse nome de casada. Agora falou que ela recebeu uma citação nos dois nomes, mas será que foi enviada corretamente? A gente sequer sabe como essa notificação foi feita”, criticou.

Leonardo Corrêa, por sua vez, enfatizou a violação da liberdade de expressão no Brasil. “O que é mais curioso no caso dela é não saber do que está se defendendo. É um típico processo kafkiano. A Constituição Federal determina que decisões devem ser fundamentadas, mas até agora Flávia não sabe o motivo de estar sendo perseguida”, pontuou. Ele também comparou o caso com outros episódios de suposto tratamento desigual por parte do STF. “Enquanto defensores do governo podem agir livremente, advogados que defendem opositores de Moraes são ameaçados até por litigância de má-fé. Isso não deveria acontecer.”

Flávia Magalhães relatou o momento em que descobriu a perseguição contra ela ao tentar entrar no Brasil com seu passaporte americano. “Quando cheguei em Recife, entreguei meu passaporte americano e a Polícia Federal me segurou. Olharam para mim e perguntaram: ‘Você é famosa?’. Eu disse: ‘Famosa onde, pelo amor de Deus?’. Foi quando me informaram que havia uma ordem de apreensão do meu passaporte assinada por Alexandre de Moraes. A primeira coisa que perguntaram foi em quem eu votei. Eu respondi: ‘Eu voto no Bolsonaro’. Foi aí que percebi que era perseguição política.”

A brasileira-americana também revelou que descobriu, por acaso, um mandado de prisão contra ela enquanto navegava na internet. “Coloquei meu CPF em um banco de dados e vi que havia um mandado de prisão expedido contra mim em 8 de fevereiro de 2024, no mesmo dia do Felipe Martins. Até hoje, não sei do que estou sendo acusada”, afirmou.

Flávia mencionou ainda que sua conta no Twitter havia sido censurada no Brasil sem qualquer notificação oficial. “Descobri em julho de 2023 que meu perfil estava banido judicialmente. No Brasil, ninguém conseguia me ver. Aqui nos Estados Unidos, nunca sofri censura. Isso só existe no Brasil.”

Para Carol Sponza, o caso escancara o que muitos já denunciam há tempos: “Outros amigos também estão sendo perseguidos e enfrentam processos sem saber exatamente do que são acusados. É um padrão preocupante”, alertou.

O caso de Flávia Magalhães levanta questionamentos sobre abuso de poder, perseguição política e cerceamento da liberdade de expressão no Brasil. Enquanto isso, ela segue nos Estados Unidos, impossibilitada de retornar ao país sem o risco de ser presa, sem saber exatamente por quê.

Assista ao programa de hoje:

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