Jair Bolsonaro está preso e incomunicável. Sim, a decisão de Alexandre de Moraes de enviá-lo para a prisão domiciliar também o proíbe de usar o celular – inclusive, todos os aparelhos que estavam em sua casa foram recolhidos.
Se o ex-presidente já estava impedido de usar as redes sociais, dar entrevistas e sair de casa depois das 19h, agora não poderá cruzar o portão da frente. Visitas? Só de familiares e advogados.
Moraes já poderia ter encarcerado o ex-presidente há muito tempo, já que o ministro não precisa seguir a lei para tomar suas decisões. As cautelares, a tornozeleira, as proibições serviram para enfraquecê-lo, esvaziar sua capacidade de reação.
Ao proibir o uso de redes e do celular, Moraes despe Bolsonaro das únicas ‘armas’ que detinha e que o transformaram num fenômeno eleitoral. São as mesmas ‘armas’ usadas pelo cidadão comum para fazer… política.
São essas as armas que ameaçam a democracia de Moraes e seus colegas togados. Gente que gosta de poder fazer o que quiser sem ser questionado. “O mundo era mais feliz antes das redes sociais”, confessou certa vez o ministro.
Antes das redes sociais, era mais fácil controlar a narrativa. Bastava pagar ou ameaçar para uma notícia inconveniente não ser publicada.
Ninguém saberia das novas e sórdidas mensagens trocadas por auxiliares de Moraes para justificar prisões ilegais de quem questionou a eleição de um ex-presidiário, como revelaram hoje os repórteres Eli Vieira e David Ágape.
Ninguém tomaria conhecimento das articulações de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo para obter ajuda do governo de Donald Trump, para tentar por um fim na Juristocracia instalada neste país desde 2019.
Ninguém se mobilizaria com tamanha facilidade para exigir o fim da perseguição à direita, o impeachment do próprio Moraes e a anistia geral para os presos do 8 de janeiro.
E aí, tá esperando o quê?
