“Blindagem institucional”: oposição reage a restrição de impeachment ditada por Gilmar Mendes
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“Blindagem institucional”: oposição reage a restrição de impeachment ditada por Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

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Por Redação

Parlamentares criticam mudanças que limitam atuação do Legislativo e defendem novas propostas para barrar o STF

A decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que limita quem pode apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte, intensificou a reação de parlamentares da oposição em Brasília nesta quarta-feira (3).

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Deputados e senadores classificaram a medida como um avanço indevido do Judiciário sobre atribuições do Legislativo e alertaram para um possível desequilíbrio entre os Poderes.

Em discurso durante coletiva, o deputado Zucco afirmou que a mudança representa um afastamento do modelo previsto na Constituição.

Para ele, ao retirar do cidadão comum a possibilidade de formalizar denúncias por crime de responsabilidade, a decisão enfraquece o controle democrático sobre o Supremo.

Segundo o parlamentar, o STF vem ampliando, gradualmente, suas atribuições, ultrapassando a função de interpretar a Constituição para, em algumas situações, interferir diretamente em temas de competência do Congresso.

Ele citou decisões recentes que envolveram questões tributárias e a política de drogas como exemplos dessa expansão.

Zucco também afirmou que o Congresso precisa reagir para preservar sua autonomia. Entre as medidas defendidas por ele estão a votação de propostas que limitam decisões individuais no Supremo e a criação de mandatos com tempo determinado para ministros da Corte.

Durante a coletiva, o deputado apresentou uma proposta de emenda à Constituição com o objetivo de ajustar o rito de pedidos de impeachment contra ministros do STF. O texto prevê, entre outros pontos, a retomada da legitimidade para que cidadãos apresentem denúncias, a confirmação do Senado como única instância responsável pelo processo e a proibição de interferência judicial no rito.

O senador Rogério Marinho reforçou o discurso de que há um movimento crescente de concentração de poder no Judiciário. Na avaliação dele, a decisão ocorre em um momento sensível, próximo a um novo ciclo político, e pode impactar diretamente futuras composições do Senado.

Marinho também lembrou que a legislação atual prevê como crimes de responsabilidade atos como quebra de decoro, suspeição e envolvimento político-partidário. Segundo ele, não pode haver distinção entre autoridades quando o assunto é responsabilidade institucional.

Já o deputado Gustavo Gayer apresentou dados de pesquisas de opinião para sustentar a tese de que parte da população demonstra receio em expressar posicionamentos políticos.

Ele afirmou que a decisão do ministro pode ampliar esse sentimento e afetar a confiança nas instituições.

Para Gayer, havia uma expectativa de mudança no equilíbrio entre os Poderes a partir das próximas eleições legislativas, e a decisão do STF seria uma resposta preventiva a esse cenário.

Ele classificou a medida como exagerada e afirmou que ela cria uma barreira quase intransponível para qualquer tentativa de responsabilização de ministros.

Entenda a decisão

A medida adotada por Gilmar Mendes foi tomada no âmbito de ações apresentadas por partidos e entidades ligadas à magistratura, que questionavam dispositivos da Lei do Impeachment, em vigor desde 1950. Segundo o ministro, parte do conteúdo da legislação não é compatível com a Constituição de 1988.

Com a liminar, apenas o procurador-geral da República poderá apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF, excluindo a possibilidade de denúncias feitas por cidadãos, entidades ou parlamentares. Além disso, o quórum exigido para que o Senado dê andamento a um processo foi elevado para dois terços dos senadores.

Outro ponto estabelecido na decisão é que o conteúdo das decisões judiciais não poderá, por si só, servir de base para a abertura de um processo por crime de responsabilidade.

O ministro argumenta que o objetivo é evitar o uso político do instrumento do impeachment e preservar a independência do Judiciário. A decisão, no entanto, ainda será analisada pelo plenário do STF em julgamento previsto para ocorrer em ambiente virtual nas próximas semanas.

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