"Beto Louco" e "Primo" chefiavam esquema do PCC no setor de combustíveis
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

“Beto Louco” e “Primo” chefiavam esquema do PCC no setor de combustíveis

"Beto Louco" e "Primo" chefiavam esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

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Por Redação

PCC controlava usinas, distribuidoras, transportadoras, postos e fundos de investimento

A megaoperação desta manhã (28) em oito estados mira um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Segundo as investigações, os líderes eram Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.

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O PCC atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis, açúcar e álcool. O grupo controlava usinas, distribuidoras, transportadoras, armazenagem, postos e lojas de conveniência.

Mohamad é apontado como o chefe principal. Ele usava empresas do setor para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de bilhões. A rede incluía familiares, sócios e administradores. No LinkedIn, Mohamad se apresentava como CEO da G8LOG, especializada em transporte de cargas perigosas, e consultor da Copape, formuladora de gasolina.

Mohamad Hussein Mourad no LinkedIn
Mohamad Hussein Mourad no LinkedIn

As investigações revelam que a Copape e a distribuidora Aster foram adquiridas por Mohamad e usadas para sonegar impostos e obter créditos tributários irregulares. O esquema inflava artificialmente preços em transações entre as empresas.

Roberto, o “Beto Louco”, era responsável pela gestão operacional da Copape e da Aster, atuando em fraudes fiscais, falsificação de documentos e lavagem de capitais.

O esquema se dividia entre operações industriais e gestão financeira. Recursos ilícitos eram ocultados em fundos de investimento e empresas de participações. Em junho do ano passado, Mohamad já havia sido denunciado por sonegação e adulteração de bombas de combustível.

A operação, chamada Carbono Oculto, mobilizou 1.400 agentes em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O MP-SP e a Receita estimam em R$ 7,6 bilhões o valor sonegado.

Foram identificados mais de 300 postos adulterando combustíveis, mas o setor calcula impacto maior, atingindo cerca de 30% dos postos paulistas — aproximadamente 2.500 unidades.

A Receita Federal também identificou ao menos 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões controlados pelo PCC. Segundo os auditores, membros da facção infiltrados no mercado financeiro usavam os fundos para ocultar bens e movimentar recursos.

Mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, são investigados por crimes contra a ordem econômica, fraudes fiscais, adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e estelionato.

As autoridades confirmam que parte do dinheiro financiou a compra de usinas e a expansão da rede criminosa, que incluía distribuidoras, transportadoras e postos. Empresários foram coagidos a vender propriedades com valores abaixo do mercado, sob ameaça de morte.

O MP-SP, Receita, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, ANP e a Procuradoria-Geral do Estado participam da operação. Ministérios Públicos de outros estados também apoiam o cumprimento dos mandados.

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