Postos do PCC vendiam combustível com até 90% de metanol, diz investigação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Postos do PCC vendiam combustível com até 90% de metanol, diz investigação

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Produto ilegal chegava por Paranaguá e abastecia rede clandestina de postos e distribuidoras

Combustíveis vendidos em postos alvos da megaoperação desta quinta-feira (28) apresentaram até 90% de metanol. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite apenas 0,5% dessa substância em gasolina e etanol.

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Segundo o Ministério Público de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital (PCC) importava irregularmente produtos químicos para adulterar combustíveis, afetando cerca de 30% dos postos de combustíveis do estado — aproximadamente 2.500 estabelecimentos.

O metanol, altamente inflamável e tóxico, era desviado para postos e distribuidoras. “O metanol tem restrição na ANP para conter 0,5% em combustíveis, por exemplo, na gasolina e etanol. Não obstante, fiscalizações do estado de São Paulo apontam alguns postos com até 90% de metanol, o que é extremamente arriscado para as pessoas, veículos e meio ambiente”, afirmou o promotor Yuri Fisberg.

As investigações apontam que o produto chegava ao Brasil pelo Porto de Paranaguá (PR). Em vez de seguir para empresas químicas registradas, era desviado e transportado com documentação fraudulenta, sem cumprir normas de segurança. “O metanol é importado por Paranaguá em especial, e de Paranaguá deveria ir ou é formalmente destinado a químicas – por isso as buscas em outros estados. Em geral, são empresas químicas que são de fachada ou têm uma atuação paralela bastante significativa de desvio desse metanol”, disse o promotor.

Além da adulteração, consumidores eram lesados por fraudes de volume. Pagavam por quantidades superiores às realmente abastecidas e por combustíveis fora dos padrões exigidos pela ANP.

O dinheiro obtido financiava a compra de usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras e postos, ampliando a estrutura criminosa. Fazendeiros e empresários eram coagidos a vender propriedades com valores abaixo do mercado e sofriam ameaças de morte caso resistissem.

As apurações identificaram ainda rede de laranjas e empresas de fachada usadas para ocultar os beneficiários, por meio de camadas societárias, fundos de investimento e instituições de pagamento.

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