Ministro diz que STF aguarda para decidir se reage a sanções dos EUA
Em seu café de encerramento de mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso abordou a dificuldade de pacificação do país, a condenação de Jair Bolsonaro e as sanções impostas pelos Estados Unidos a ministros da Corte. Barroso deixará a presidência na próxima segunda-feira (29), passando o cargo para o ministro Edson Fachin.
Ao avaliar sua gestão, o ministro disse está frustrado por não ter alcançado a pacificação total do Brasil, principalmente devido aos julgamentos dos atos de 8 de janeiro e da suposta tentativa de golpe.
“Eu tinha muita vontade de fazer isso [pacificar o Brasil] e achava que seria possível, mas os julgamentos do 8 de janeiro — o volume, que foi grande, que demorou — e o julgamento do golpe dificultaram muito criar esse ambiente de pacificação total, porque quem teme ser preso está querendo briga e não pacificação,” declarou Barroso, em referência a Bolsonaro.
Barroso defendeu o julgamento que condenou o ex-presidente a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, destacando seu papel como punição exemplar. Para o ministro, a decisão é “imprescindível” para encerrar o que chamou de “ciclo do atraso” na história brasileira.

“O Direito Penal tem, antes de mais nada, um papel de as pessoas não delinquirem; elas sabem da probabilidade de sofrerem uma consequência negativa, que é a pena. […] A gente tinha que julgar para encerrar os ciclos do atraso e as pessoas saberem que, daqui para frente — ao contrário do que sempre havia acontecido —, depois de um delito vem a punição,” indicou.
O ministro também relembrou o momento mais custoso de sua trajetória na Corte: o enfrentamento à bandeira do voto impresso, defendida Bolsonaro. Barroso afirmou que aquela foi uma “cartada decisiva na democracia brasileira,” considerando os riscos de grupos radicais interferirem em contagens manuais de votos.
Sobre as recentes sanções americanas contra ministros do STF, como a revogação de vistos, Barroso indicou que a Corte deve aguardar o fim dos julgamentos para avaliar uma reação. Ele lamentou a postura do governo americano, atribuindo-a a uma “incompreensão do que acontece no Brasil”.
“A minha impressão é que prevaleceu, para as autoridades americanas, a narrativa dos que perderam — que tentaram dar um golpe. […] Eu acho que os fatos — a verdade dos fatos — vêm antes da ideologia,” pontuou.
Barroso completou, criticando a ideia de que o Brasil vive uma ditadura, e afirmou que, apesar dos convites para deixar a Corte, pretende permanecer e escrever suas memórias em um livro.
