Em seu último dia no STF, Barroso pede sessão extraordinária para votar aborto
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Em seu último dia no STF, Barroso pede sessão extraordinária para votar aborto

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Por Taís Hirschmann

Ministro anunciou aposentadoria na sessão plenária do último dia 9 após ficar 12 anos no STF

Luís Roberto Barroso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma sessão extraordinária para discutir a descriminalização do aborto. Ele solicitou a convocação do presidente do STF, Edson Fachin, para que a sessão ocorra antes de sua aposentadoria, que começará neste sábado (18). Barroso enfatizou a urgência do caso, afirmando que a descriminalização é uma medida de justiça para mulheres pobres que não têm acesso à rede pública de saúde.

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O processo sobre o aborto começou a ser julgado em 2023, quando a então presidente do STF, ministra Rosa Weber, votou pela descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até as 12 semanas de gestação. Foi Barroso quem pediu destaque e interrompeu o julgamento. Durante sua gestão na presidência, no entanto, o ministro preferiu não pautar o caso.

O ministro Luís Roberto Barroso cumpre as últimas horas como ministro do STF. A saída do ministro marca o fim de uma trajetória de 12 anos no Tribunal com protagonismo em temas sensíveis, como letalidade policial, licença paternidade e descriminalização do aborto.

Nessa quarta-feira (15), foi publicado o decreto presidencial no DOU (Diário Oficial da União), assinado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concede aposentadoria ao ministro a partir deste sábado (18).

Barroso anunciou seu desligamento na sessão plenária do último dia 9 deste mês, pouco tempo após ter passado a presidência do STF ao ministro Edson Fachin, em 29 de setembro.

Desde que comunicou sua saída do Tribunal, o ministro não participou de sessões plenárias no STF e tem organizado sua retirada com movimentos em processos que tem interesses. Barroso é relator de 912 ações.

Entre os atos do ministro, ele cobrou explicações do governo do estado do Rio de Janeiro sobre as chamadas “gratificações faroeste” concedidas a policiais civis que atuam em operações em comunidades.

O despacho do ministro foi proferido no âmbito do processo conhecido como “ADPF das Favelas” na quarta-feira (15). Em abril deste ano, o Supremo homologou parcialmente o plano de redução da letalidade policial apresentado pelo RJ.

Barroso também pediu informações ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre o vencimento do prazo concedido pelo Supremo para o Legislativo criar uma legislação para regular a licença paternidade.

Após o ministro Edson Fachin assumir a presidência da Corte, Barroso também herdou a maior parte do que restou dos casos relacionados à extinta operação Lava Jato no Supremo.

A saída do ministro também ocorre após ele se sentir mal em decorrência de ter queda na pressão arterial. Barroso deu entrada no hospital Sírio Libanês, em Brasília, na quarta-feira (15) e recebeu alta nessa quinta (16), por volta das 12h45. O ministro passou a noite internado e foi submetido a uma bateria de exames.

Cotados para a vaga

Os cotados para a vaga no STF após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso incluem Jorge Messias, Rodrigo Pacheco, Bruno Dantas e Vinícius Carvalho. Jorge Messias é considerado o favorito, com um perfil técnico e político alinhado ao governo. Rodrigo Pacheco é visto como uma escolha que agradaria a setores do Judiciário e do Legislativo, mas também é um candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Bruno Dantas e Vinícius Carvalho também estão no radar, com Dantas ter bom trânsito político e Carvalho ganhando destaque pela atuação em temas de integridade pública.

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