Chefe do Supremo ressaltou julgamentos públicos de envolvidos nos ataques às instituições
O presidente do STF, ministro Roberto Barroso, afirmou nesta terça-feira (29) que o bloqueio de três perfis em redes sociais, ligados a pessoas que vivem fora do Brasil, é um “preço baixo” a ser pago para preservar a democracia. O ministro abordou o tema durante palestra na Faculdade de Direito da UnB, na 11ª conferência anual da ICON-S.
“Em tempos recentes, presenciamos uma onda de ataques às instituições, ao sistema eleitoral e especificamente ao Supremo Tribunal Federal. Algumas postagens, dezenas, e não milhares, que apoiavam o golpe ou eram criminosas foram removidas. Neste momento, há 3 perfis que foram banidos por decisão da Corte. [São] 3 pessoas que moram fora e que continuam postando porque não temos jurisdição extraterritorial. Então o preço que pagamos é bem baixo. Porque conseguimos preservar a democracia no Brasil”, disse Barroso.
O ministro defendeu que o Brasil é “um dos poucos casos no mundo” onde uma Corte, apoiada pela sociedade civil, imprensa e parte da classe política, conseguiu evitar um golpe de Estado sem ruptura institucional.
Ele disse que a resposta aos atos de 8 de janeiro incluiu investigação, julgamento público das invasões e processo contra os envolvidos.
Barroso também lembrou que o país convive historicamente com “presenças autoritárias”, citando a participação de militares na política e ameaças ao STF.
Ele mencionou episódios como a Revolução Constitucionalista de 1932, a queda de Getúlio Vargas em 1945, o AI-5 durante a ditadura de 1968 e o Pacote de Abril de Ernesto Geisel em 1977.
