Deputados criticam decisão de Moraes e declaram solidariedade ao pastor após ação no Galeão
Lideranças da bancada evangélica do Congresso criticam a operação da Polícia Federal contra o pastor Silas Malafaia nesta quarta-feira (20), no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O religioso voltava de Lisboa quando foi abordado por agentes.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No despacho, Moraes afirmou que as condutas de Malafaia, “em vínculo subjetivo” com o ex-presidente Jair Bolsonaro, “caracterizam claros e expressos atos executórios” de coação no curso do processo e de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa.
Na mesma investigação, a PF indiciou Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação. A corporação sustenta que mensagens trocadas entre Bolsonaro e Malafaia confirmam tentativa de constranger ministros do STF com apoio de autoridades dos Estados Unidos. Para os investigadores, há “fortes indícios” da participação do pastor na articulação.
O deputado Eli Borges (PL-TO), ex-líder da bancada evangélica, contestou a decisão. “Vejo tudo isso aterrorizado e com indignação. Alexandre de Moraes é injusto e age como quer contra uma voz da nossa democracia que é o Malafaia, vítima de exercer a sua liberdade de expressão”, disse.
O coordenador da bancada evangélica, Gilberto Nascimento (PSD-SP), também se manifestou. “Foi uma coisa que aconteceu agora, estamos observando e logicamente que a Frente Parlamentar Evangélica e os demais deputados prestam solidariedade a ele. Em um momento como esse, a solidariedade se junta”, declarou.
A PF afirma que mensagens de julho de 2023 mostram a atuação de Malafaia em apoio a Bolsonaro. Em texto enviado ao ex-presidente, o pastor escreveu: “Presidente, você voltou para o jogo. (…) A próxima retaliação vai ser contra ministros do STF e suas famílias. Vão dobrar a aposta apoiando ditador? DUVIDO”.
No relatório, os investigadores concluem que Malafaia “vem atuando de forma livre e consciente, em liame subjetivo com os demais investigados, na definição de estratégias de coação e difusão de narrativas inverídicas, bem como no direcionamento de ações coordenadas que, em última instância, visam coagir os membros da cúpula do Poder Judiciário”.
