"Ataques à soberania foram estimulados por radicais", diz Gilmar - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Ataques à soberania foram estimulados por radicais”, diz Gilmar

Gilmar critica PL que equipara facções a grupos terroristas: “Muita bravata”
Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Decano do Supremo citou ‘deputado fujão’ ao se referir a Eduardo Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes afirmou, nesta sexta-feira (1º), que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem sendo alvo de uma “ação orquestrada de sabotagem” por parte de grupos políticos derrotados nas eleições e empresas de tecnologia que resistem à regulação. O pronunciamento foi feito na condição de decano da Corte.

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“Os ataques à nossa soberania foram estimulados por radicais inconformados com a derrota do seu grupo político nas últimas eleições presidenciais”, declarou. Mendes também apontou diretamente um deputado federal que “fugiu do país para covardemente difundir aleivosias contra o Supremo Tribunal Federal”.

Gilmar Mendes concentrou a defesa no ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais que tratam dos atos de 8 de janeiro. “As censuras que têm sido dirigidas ao Ministro Alexandre, na sua grande maioria, partem de radicais que buscam interditar o funcionamento do Judiciário e manietar as instituições fundamentais de uma democracia liberal.”

Segundo o ministro, há dois eixos principais de ataques ao Supremo: o primeiro vindo de apoiadores de líderes acusados de tentar impedir a posse do presidente eleito; o segundo, de empresas de tecnologia que reagem à decisão do STF que impõe obrigações na retirada de conteúdos ilegais das redes. Gilmar criticou os “lobbies poderosos” dessas empresas e afirmou que elas tentam “dobrar o Tribunal e o governo brasileiro aos seus caprichos”.

O decano também rebateu as acusações de abuso nos processos conduzidos por Moraes. Disse que todos os atos têm sido públicos, com ampla defesa e respeito ao devido processo legal. “Não há nenhum fato real, concreto e individualizado que sinalize o menor desvio do relator em relação ao devido processo legal.”

Ao citar as convocações para os atos de 8 de janeiro, o ministro mencionou que as redes sociais foram usadas para disseminar mensagens de incitação ao crime e que houve perfis verificados envolvidos nos chamados. “As plataformas impulsionaram conteúdos golpistas com canais monetizados e anúncios patrocinados.”

Na parte final do discurso, Gilmar Mendes reforçou a independência da Corte: “Este Supremo Tribunal Federal não se dobra a intimidações”, afirmou. Ele encerrou com uma advertência: “Aos propagadores da instabilidade e do caos, irresponsáveis e pusilânimes que se autointitulam patriotas, mas que trabalham abertamente contra os interesses de seu próprio país: não tenham dúvida de que seus atos criminosos receberão uma resposta à altura por parte do Estado brasileiro.”

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