Ao criminalizar ação de advogado da Rumble e Trump Media; delegado da PF se qualifica para a Magnitsky
Martin de Luca, advogado das empresas Rumble e Trump Media, usou as redes sociais para dizer que vem recebendo “inúmeras ameaças” e “mensagens de apoio e preocupação”, após ter o número de seu celular exposto no relatório de indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro.
“Além das inúmeras ameaças, recebi muitas mensagens de apoio e preocupação com meu bem-estar. Sei que este é um momento crucial no Brasil. Estou bem e entrarei em contato assim que todas as medidas de segurança estiverem em vigor. Obrigado por todo o amor e apoio.”
No relatório apresentado ao Supremo nesta semana, e cujo sigilo foi retirado pelo próprio Alexandre de Moraes, a PF aparentemente busca criminalizar a atuação do advogado no X, transcrevendo postagens e relacionando-as com a atuação do ex-presidente e de seu filho.
Reproduz também trocas de mensagens entre De Luca e Bolsonaro, como cortes de entrevistas e comentários feitos no X, além de petições feitas pelo advogado em nome da Rumble e da Trump Media junto à Justiça Federal americana.
Para o delegado Itawan de Oliveira Pereira, que assina o relatório de indiciamento, os diálogos demonstrariam um “cenário de ações previamente ajustadas entre o investigado JAIR BOLSONARO e o representante judicial da empresa RUMBLE, MARTIN DE LUCA”.
“Nesse sentido, a circunstância fática de encaminhamento ao ex-presidente de petição subscrita pelo representante da empresa RUMBLE na mesma data de apresentação à justiça americana (14.07.2025), constitui indício relevante que evidencia desvio quanto a real finalidade das pretensões deduzidas pela empresa em face de litigância contra Ministro do Supremo Tribunal Federal.”
Em outro trecho, sem qualquer prova de crime, o delegado conclui que o “elemento volitivo comum entre MARTIN DE LUCA e JAIR BOLSONARO é qualificado pela convergência de interesses na propagação de ações mútuas”.
“Quais sejam: amplificar ataques direcionados ao Supremo Tribunal Federal (STF), na pessoa do ministro ALEXANDRE DE MORAES, de forma a atingir a jurisdição brasileira, atribuindo descrédito ao Poder Judiciário nacional com propósito único de deslegitimação das decisões judiciais que conflitem com interesses comuns entre o expresidente e a plataforma RUMBLE”.
Itawan Pereira também acusa Bolsonaro de atuar “de forma subordinada a interesses de agentes estrangeiros” e transcreve áudio do ex-presidente ao advogado pedindo orientação sobre como fazer chegar a Trump uma carta sua de agradecimento às manifestações públicas do presidente americano.

Apesar das conclusões enviesadas do relatório de indiciamento, o diálogo serve apenas para invalidar a tese de uma articulação internacional contra o Supremo; uma vez que evidencia a inexistência de canal com direto com Trump, nem via Eduardo.
Além de expor a deficiência da própria investigação, o delegado Itawan Pereira, que tem histórico de atuação para o PT, parece incorrer nas mesmas violações que levaram Moraes a ser sancionado pela Magnitsky; com o agravante de tentar enquadrar um advogado americano em supostas ações criminosas e ainda expondo seus dados pessoais.
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