Apesar de Lula, 95% das exportações brasileiras seguem em dólar - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Apesar de Lula, 95% das exportações brasileiras seguem em dólar

Lula
Governo de Lula é rejeitado pelo eleitor do DF.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Presidente defende moeda alternativa nos Brics, mas país mantém dependência da moeda americana

O presidente Lula tem defendido a criação de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio entre países do Sul Global, especialmente no âmbito dos Brics. Na prática, no entanto, o Brasil continua altamente dependente da moeda norte-americana.

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Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em 2024, 95,5% das exportações brasileiras foram realizadas em dólar. Nas importações, o percentual chegou a 81,7%. As transações com euro representaram 2,71% das exportações e 9,06% das importações. O real foi usado em apenas 1,48% das exportações e 6,41% das importações.

A defesa de Lula por moedas alternativas foi reiterada mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A resposta brasileira, segundo Lula, será baseada na Lei de Reciprocidade Econômica e coordenada por um comitê liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O uso predominante do dólar no comércio internacional brasileiro reflete o padrão global consolidado desde o Acordo de Bretton Woods, de 1944, que estabeleceu o dólar como principal moeda de referência mundial.

Especialistas apontam que a substituição do dólar por outras moedas é tecnicamente possível, mas enfrenta entraves como falta de infraestrutura financeira, volatilidade cambial e ausência de mecanismos internacionais de compensação.

Estudos e discursos sobre desdolarização seguem em curso entre os países do Brics, mas a execução de medidas concretas ainda é limitada. O euro, por exemplo, levou duas décadas de articulação política até sua adoção plena.

Apesar das iniciativas do governo, o mercado global ainda prefere moedas de maior estabilidade e liquidez, como o dólar, o que mantém a moeda americana como dominante nas transações comerciais do Brasil.

 

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