Presidente defende moeda alternativa nos Brics, mas país mantém dependência da moeda americana
O presidente Lula tem defendido a criação de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio entre países do Sul Global, especialmente no âmbito dos Brics. Na prática, no entanto, o Brasil continua altamente dependente da moeda norte-americana.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em 2024, 95,5% das exportações brasileiras foram realizadas em dólar. Nas importações, o percentual chegou a 81,7%. As transações com euro representaram 2,71% das exportações e 9,06% das importações. O real foi usado em apenas 1,48% das exportações e 6,41% das importações.
A defesa de Lula por moedas alternativas foi reiterada mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A resposta brasileira, segundo Lula, será baseada na Lei de Reciprocidade Econômica e coordenada por um comitê liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
O uso predominante do dólar no comércio internacional brasileiro reflete o padrão global consolidado desde o Acordo de Bretton Woods, de 1944, que estabeleceu o dólar como principal moeda de referência mundial.
Especialistas apontam que a substituição do dólar por outras moedas é tecnicamente possível, mas enfrenta entraves como falta de infraestrutura financeira, volatilidade cambial e ausência de mecanismos internacionais de compensação.
Estudos e discursos sobre desdolarização seguem em curso entre os países do Brics, mas a execução de medidas concretas ainda é limitada. O euro, por exemplo, levou duas décadas de articulação política até sua adoção plena.
Apesar das iniciativas do governo, o mercado global ainda prefere moedas de maior estabilidade e liquidez, como o dólar, o que mantém a moeda americana como dominante nas transações comerciais do Brasil.
