Ao Washington Post, Moraes diz que 'não recuará um milímetro' em caso Bolsonaro - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Ao Washington Post, Moraes diz que ‘não recuará um milímetro’ em caso Bolsonaro

Moraes dá entrevista rara ao The Washington Post
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Isac Mascarenhas

Em uma entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada nesta segunda-feira (18), o ministro Alexandre de Moraes defendeu sua atuação e afirmou que não recuará em suas decisões sobre a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, apesar das sanções impostas contra ele pelo governo de Donald Trump. O jornal descreveu Moraes como “o juiz que se recusa a ceder à vontade de Trump” e o chamou de “xerife da democracia”.

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“Não existe a menor possibilidade de recuar nem milímetro sequer”, disse Moraes à publicação, que alega que os Estados Unidos o sancionaram com base na Lei Magnitsky por supostamente promover uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente, mesmo com o processo seguindo os trâmites tradicionais da Justiça brasileira.

O ministro reafirmou que a investigação continuará “enquanto houver necessidade” e que o julgamento ocorrerá conforme o devido processo legal: “Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”.

Ao falar sobre a fragilidade da democracia no Brasil, Moraes comparou a história do país à dos Estados Unidos, que nunca sofreu um golpe. “Quando você é muito mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”, afirmou, referindo-se aos anos de ditadura militar, ao governo de Getúlio Vargas e as inúmeras tentativas de golpe no Brasil.

Ele também classificou as críticas dos apoiadores de Bolsonaro como “narrativas falsas”, que envenenam o relacionamento entre os dois países. São apoiadas por desinformação espalhada nas redes sociais. Então o que precisamos fazer, e é o que o Brasil está fazendo, é esclarecer as coisas”.

O jornal ressaltou ainda que os “decretos expansivos” do ministro, como a suspensão do X (antigo Twitter) de Elon Musk no Brasil, tiveram repercussão global.

A reportagem também ouviu 12 pessoas próximas a Moraes para comentar a atuação. A maioria falou em anonimato, com exceção do ex-ministro da Corte, Marco Aurélio Mello, que criticou as recentes decisões de Moraes.

“Estou triste com a deterioração da instituição [STF]”, disse Mello, que se aposentou em 2021. “A história é implacável. Ela acerta as contas depois”.

A entrevista também abordou as sanções financeiras impostas a Moraes, que bloqueiam seus bens nos EUA e o impedem de realizar transações com cidadãos e empresas americanas. Moraes admitiu que não é uma situação “agradável”, mas disse que é preciso defender a democracia.

“É agradável passar por isso? É claro que não é”, finalizou a entrevista de uma hora no início deste mês.

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